sexta-feira, 22 de junho de 2012

Instituto Lula apóia Fundo Tripartite das Terras Secas da África

 

Foi apresentado na quarta-feira (20), como parte da programação da Rio + 20, o Fundo Tripartite das Terras Secas da África. O presidente Lula foi convidado para o evento, mas não pode comparecer por questões médicas. Ele foi representado por Paulo Okamotto, presidente do Instituto Lula, e Celso Marcondes, coordenador executivo para África do Instituto Lula. Também estiveram presentes o presidente da Agência Pan-Africana da Grande Muralha Verde e presidente do Chade, Idriss Déby, o Dr. Sci. Abdoulaye Dia, secretário executivo da agência, os ministros Miriam Belchior, Miguel Raup e Fernando Bezerra e o governador Eduardo Campos.

O fundo tripartite foi assinado em março entre órgãos do governo brasileiro, francês e o Agência Pan-Africana da Grande Muralha Verde, que é uma agência da União Africana que reúne os 11 países do Sael, que é uma das regiões mais pobres do mundo. O fundo prevê troca de tecnologias entre os países com objetivo de combater a fome.

Durante o evento, o presidente do Chade nomeou simbolicamente o presidente Lula como embaixador honorário da região do Sael no Brasil pela seu trabalho de cooperação pelo desenvolvimento da África.

Veja abaixo a mensagem enviada pelo ex-presidente Lula e lida por Paulo Okamotto no evento.

MENSAGEM DO EX-PRESIDENTE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA AOS PARTICIPANTES DO EVENTO DE APRESENTAÇÃO DO FUNDO TRIPARTITE DAS TERRAS SECAS DA ÁFRICA

CONFERÊNCIA RIO+20 – DIA 20 DE JUNHO DE 2012

Senhores e senhoras, senhor presidente do Chade, Idriss Deby, ministros e autoridades africanas, francesas e brasileiras presentes,

Meus caros participantes ao ato de apresentação do Fundo Tripartite das Terras Secas da África,

Minhas amigas, meus amigos,

Eu gostaria muito de saudar pessoalmente cada um dos presentes neste momento tão especial para as relações entre o Brasil, a França e os países africanos. Mas, na semana passada, ao mesmo tempo em que ouvi dos médicos a grata confirmação de que havia vencido o câncer na laringe, também recebi a recomendação para poupar a minha garganta nos próximos dias.

Entretanto, eu não poderia deixar de registrar aqui uma mensagem para vocês.

A Conferência Rio+20 é, principalmente, uma oportunidade extraordinária para encaminhar medidas concretas em direção a uma economia que ajude a combater a fome e erradicar a pobreza no mundo.

Eu acredito que colocar em pauta hoje o desenvolvimento economicamente sustentável é, antes de tudo, discutir como alimentar o planeta, exatamente no ano em que deve acontecer um aumento recorde na produção global de cereais. É debater como desenvolver nossas economias de forma a aproveitar as riquezas da natureza sem destruí-la e recuperar as áreas que já foram degradadas.

O grau de avanço científico e tecnológico que a humanidade já atingiu é suficiente para acabar com a miséria. Porém, muitos governantes escolhem a via mais fácil, aquela que privilegia os mais ricos e ignora os mais pobres.

Os mesmos que incentivam os improdutivos mercados financeiros, muitas vezes, são aqueles que permitem a devastação das florestas e dos rios e a exploração até o esgotamento das riquezas naturais. São os que optam por caminhos que não garantem as condições mínimas de vida para os moradores das regiões produtoras destas riquezas.

Infelizmente, em tempos de uma seríssima crise econômica mundial, quando existe a oportunidade real para um debate construtivo sobre os rumos da nossa economia, importantes lideranças preferem permanecer em seus países.

Mas não será isso que impedirá o debate, pois o mundo de hoje também produz esperanças.

Já contamos às dezenas os países que encontraram a via da democracia e do desenvolvimento. Na África, na América Latina, na Ásia, , hoje são centenas de milhões de pessoas que começam a ter uma vida melhor. Pessoas que entram no mercado de consumo e que têm mais acesso à educação, à saúde, ao emprego, ao voto livre e democrático.

Ao lembrarmo-nos dessas pessoas, poderemos identificar a oportunidade que temos agora para buscar um novo paradigma de desenvolvimento, que seja sustentável, mas também inclusivo e participativo.

Um desenvolvimento com distribuição de renda e pleno funcionamento das instituições democráticas, que tenha padrões sustentáveis em todos os seus aspectos: não só ambientais, mas também sociais e culturais. É possível, sim, desenvolver um país sem degradar o meio ambiente. Preservação do meio ambiente não é sinônimo de estagnação econômica e social.

O modelo de produção, circulação e posse das riquezas que existe hoje no mundo leva ao esgotamento dos recursos naturais e à concentração de poder e riqueza nas mãos de poucos. A crise econômica mundial prova que este modelo não pode mais ser tolerado. Quem sofre de imediato com a crise são os trabalhadores dos países diretamente atingidos, aos quais se impõe a chamada austeridade.

Para responder a este quadro é imprescindível uma nova postura das lideranças políticas.

Mudar este modelo é construir uma ampla cooperação política e social, que envolva também a comunidade científica. Daí a relevância do Acordo de Cooperação para ajudar os povos de uma das regiões mais pobres do planeta, que neste momento é tragicamente castigada por uma seca histórica.

A mesma seca que atinge hoje o sertão brasileiro e que tem exigido medidas extraordinárias de nosso governo.

Quero registrar minhas mais sinceras congratulações pelo exemplo que vocês dão na Rio+20 ao apresentar esse Acordo inédito em nossas histórias.

O combate à desertificação da região do Sahel, por meio do compromisso que as três partes assumem para reforçar sua colaboração nos domínios da pesquisa científica e tecnológica, é uma demonstração clara do sentido que merece essa Conferência.

A estruturação da comunidade científica da França, dos países africanos e do Brasil, para executar projetos conjuntos, para incentivar o intercâmbio de pesquisadores, cientistas e técnicos, para trocar informações, realizar seminários e divulgar estudos e publicações é um bom caminho a ser seguido

Hoje os brasileiros, franceses e africanos aqui reunidos dão um exemplo de nesse esforço conjunto de combater à fome e à miséria, que atingem ainda boa parte da humanidade.

Meus caros amigos e amigas, tenham a certeza de que estarei presente nesta batalha de vocês, pois o caminho da transferência de tecnologia é estratégico para que possamos sonhar um dia com um mundo melhor e mais justo.

Meus caros amigos africanos, recebam um abraço especial para vocês, espero vê-los em muito breve. Ajudar no estreitamento das relações entre o Brasil e a África é uma das prioridades da ação do Instituto que criei.

Um forte abraço para todos, meus votos de pleno sucesso na efetivação deste Acordo.

Luiz Inácio Lula da Silva

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