As Melhores do "Vai..."
Mostrando postagens com marcador #2BlogProg. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador #2BlogProg. Mostrar todas as postagens

domingo, 18 de novembro de 2012

O encanto dos orixás - Por Leonardo Boff


       
 Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela  alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuina brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares depessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.
       O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno,  mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.
       O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento inecessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso pais criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteismo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.
       A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.
       Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título O Encanto dos Orixás, desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos  (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação,  pois é esse rigor que a natureza do espiritual  exige.
       Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem também era uma religião de escravos e de marginalizados, “os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores”.
       Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu escreva tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se esconde por detrás das doutrinas, que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos.
       Deus desborda de nossas cabeças e dogmas. Na verdade, como dizem os místicos, Deus não em religião. Nós as nventamos para poder sobreviver quando nos encontramos com Ele. Caso contrário, morreríamos de tanto êxtase e beleza.
Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Cerco aos crimes digitais - #AI5Digital - Um sonoro VAI para o Azeredo

Depois dos ataques aos sites do governo, proposta que tramita há mais de uma década deve ser apreciada amanhã pela Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, antes de ir a plenário

Alessandra Mello

Jair Amaral/EM/D.A Press - 28/2/11

Azeredo rechaça acusações de que projeto pode cercear atividade na internet

Os ataques aos sites do governo neste feriadão trouxeram de volta as discussões sobre a lei de combate aos crimes digitais, proposta que tramita há mais de uma década no Congresso Nacional. Batizado pelos críticos de “AI5 Digital”, o relatório do projeto vai ser analisado amanhã pela Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara dos Deputados e, caso seja aprovado, segue para a Comissão de Constituição e Justiça, última etapa antes de ser apreciado pelo plenário. O texto que vai ser votado é relatado pelo deputado Eduardo Azeredo (PSDB), que também foi o responsável por sua análise e aprovação no Senado em 2008. Como foi modificado nessa votação, o projeto foi enviado à Câmara em 2009, onde começou a tramitar originalmente em 1999, por iniciativa do ex-deputado Luiz Piauhylino, mas não andou.

O projeto que vai ser analisado amanhã suprimiu alguns pontos considerados polêmicos da proposta aprovada pelo Senado, mas mesmo assim ainda enfrenta forte resistência entre os ativistas da internet livre. O projeto, também conhecido como Lei Azeredo, tipifica 12 crimes cibernéticos e estabelece penas, multas, detenção e prisão por até cinco anos para as condutas consideradas mais graves. Para Eduardo Azeredo, a votação desse projeto, que já estava prevista antes mesmo dos ataques da semana passada aos sites governamentais, veio em boa hora. Ele afirma que a própria Polícia Federal, acionada para investigar os últimos ataques cibernéticos, afirmou não ter meios de punir os culpados, por causa da inexistência de uma legislação criminal sobre o assunto.

O deputado rechaça as acusações de que seu projeto pode cercear a atividade na internet e diz que para acabar com as polêmicas de quem vê “chifre na cabeça de cavalo” resolveu simplificar dois pontos considerados mais controversos da proposta. Ele suprimiu do texto o artigo que obrigava provedores de acesso a denunciarem “indícios de práticas de crimes” e substitui o termo “dispositivo de comunicação” por “redes de computadores”. Segundo ele, o objetivo dessa mudança foi impedir a criminalização de condutas banais como a transferência de uma música da internet para um telefone celular. Mas manteve, de acordo com ele, por motivos de segurança, a obrigação da manutenção pelos provedores, por três anos, das informações sobre os usuários da rede . “É questão de segurança”, defendeu o deputado.

O líder do PT na Câmara, deputado federal Paulo Teixeira (SP), ativista da liberdade na rede, disse que o combate aos crimes digitais não pode ser usado como desculpa para cercear o acesso à internet e o direito à privacidade de quem acessa a rede. Ele diz que é radicalmente contra o projeto relatado por Azeredo e que vai trabalhar para que a base aprove uma outra proposta de combate aos crimes, elaborada com a contribuição de toda a sociedade. Segundo ele, hoje mesmo será colocado no portal E-democracia da Câmara uma minuta de sugestões sobre o tema. “Esse projeto do Azeredo não deve prosperar”, afirma.

Consultas públicas Ativista do software livre no Brasil, Marcelo Branco, ex-coordenador do Campus Party Brasil, um dos principais eventos de tecnologia do país, critica a votação do projeto dos crimes cibernéticos, antes mesmo da aprovação pelo Congresso do marco regulatório da internet. Desde 2009, o Ministério da Justiça elabora esse documento. As consultas públicas e audiências sobre o assunto já foram encerradas e, desde o início do ano, o Congresso Nacional aguarda o envio do texto para análise dos parlamentares. “Votar a tipificação dos crimes cibernéticos antes de votar o marco civil da internet é passar a carreta na frente dos bois. Por questão de bom senso, de lógica, o mais certo é primeiro votar a legislação civil sobre a internet e depois a penal”.

Marcelo Branco, que foi coordenador da campanha da presidente Dilma Rousseff nas redes sociais, disse que tem cobrado com frequência do governo o envio imediato do texto sobre o marco, até mesmo para que a população possa ter conhecimento sobre o teor do anteprojeto. Segundo ele, os ataques contra sites do governo no feriado foram amadores, não houve grandes prejuízos nem vazamento de nenhum dado importante nem sigiloso, e não justificam a votação de “afogadilho” dos crimes.

Fonte: Jornal Estado de Minas - Somente Assinantes

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Câmara marca votação de projeto de Azeredo #AI5digital #DigaNÃO

:: Luís Osvaldo Grossmann
:: Convergência Digital :: 27/06/2011

Depois dos ataques de hackers aos sites do governo brasileiro - que mobilizou a área de segurança da informação governamental nos últimos dias - o tema lei para combate aos cibercriminosos volta à cena.

Congelado há dois anos, mas ressuscitado nesta legislatura, o projeto de lei sobre crimes cibernéticos, com novo relatório, voltou à pauta da comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, que marcou sua votação para a próxima quarta-feira, 29/6.

Autor do polêmico substitutivo ao PL 84/99, aprovado no Senado, o agora deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) é mais uma vez responsável pelo texto em discussão – ele recuperou o projeto, abandonado em 2009, por acordo, e fez algumas mudanças.

Em uma delas foi retirado do texto um dos pontos mais controversos da proposta: aquele que obrigava provedores de acesso a denunciarem às autoridades “indícios de práticas de crimes”.

Além dessa, Azeredo retirou do texto termos como “dispositivo de comunicação” e “redes de computadores”, e substituiu “dados informáticos” por “dados eletrônicos”. Segundo o deputado, a mudança busca impedir a criminalização de “condutas banais”.

A proposta mantém a obrigação para que provedores armazenem, por três anos, “os dados de endereçamento eletrônico da origem, hora, data e a referência GMT da conexão”, que podem ser solicitados por ordem judicial.

Como houve dificuldade na construção de um acordo para a votação do projeto, a própria comissão de Ciência e Tecnologia engavetou a proposta em 2009, por entender que deveria esperar a definição do marco civil da internet.

Azeredo, no entanto, discorda dessa espera – o texto do marco civil ainda está sendo elaborado pelo Ministério das Justiça – e como integrante da comissão de mérito tratou de retomar o andamento da proposta.

Com exceção das mudanças citadas, o projeto preserva o que foi aprovado em 2008 no substitutivo do próprio Azeredo quando no Senado, estabelecendo 10 tipos penais relacionados a crimes cometidos com o uso da internet. São eles:

1) Acesso não autorizado a sistema informatizado;

2) Obtenção, transferência ou fornecimento não autorizado de dado ou informação;

3) Divulgação ou utilização indevida de informações e dados pessoais;

4) Dano (a dado eletrônico alheio);

5) Inserção ou difusão de código malicioso;

6) Estelionato Eletrônico;

7) Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública;

8) Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico,telefônico, informático, telemático ou sistema informatizado;

9) Falsificação de dado eletrônico ou documento público; e

10) Falsificação de dado eletrônico ou documento particular.

Como o projeto já passou uma vez pela Câmara e foi votado no Senado, não é passível de sofrer mudanças significativas – pois voltaria à estaca zero. Daí a opção de Azeredo de apenas suprimir alguns pontos.


Convergência Digital - Segurança - Crimes cibernéticos: Câmara marca votação de projeto de Azeredo

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Brizola Neto no #2BlogProg

Companheiro Brizola Neto, do Blog Tijolaço manda um Alô para Ativistas e Blogueiros de Minas Gerais!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

"Confesso que vivi e bebi no 2º Encontro"

Postado por:

No último fim de semana, realizou-se aqui em Brasília, o 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Até aí, morreu Neves. Ou pelo menos, um caiu do cavalo, no dia em que iniciavamos o tal Encontro. Ok, vocês já sabem disso. Mais de 400 inscritos, 30 mil pessoas acompanhando on-line as transmissões do Evento. Lula, o Cara, participou da Abertura. Agnello Queiroz, Governador do DF, fez as honras da casa. Ministro Paulo Bernardo, simpático e educado, foi trollado ao vivo pelo @. Zé Dirceu apareceu no sábado. Emir Sader, prof. Venício Lima também (coitado, o povo insiste em chamá-lo de Vinícius), etc, etc.

z__dirceu.jpg

Vários artigos e textos foram publicados a respeito, repercutindo a sua importância. Alguns destacando o pânico que o PIG deve ter ficado com o crescimento do movimento da blogosfera em seus calcanhares. Outros analisando a importância histórica do Encontro. Outros dizendo até que o seu autor propôs alteração no "Ponto G" da carta final, seja lá o que isso signifique ou implique. Né, @?.

geison.jpg

Sem querer cometer injustiças, e já cometendo, vou citar apenas alguns. O sempre combativo deputado @ postou: "Blogueiros progressistas lançam carta após II Encontro Nacional ". O já citado @ escreveu que a "Imprensa se assustou com o Encontro de blogueiros | Blog da Cidadania ". No #TeiaLivre tem o artigo do meu brother, @, que nos contou de suas impressões gerais sobre o Encontro: http://t.co/e7TR8UI (Viram que fiz o merchan do #TeiaLivre? Isso se chama auto-referência). E "last, but not least", o @ que falou -brilhantemente, só pra variar- sobre "O novo ciclo da blogosfera", ----> .

Sobre o texto do @ , concordo e lamento que, infelizmente, alguns companheiros nossos pensam que são @. Ou seja, que eles são "as referências da blogosfera, tem não sei quantos tantões de seguidores e que são os fodões". Não entendem que o "espírito da coisa" se resume numa palavra: "colaborativo". Eles precisam sim seguir, retuitar e citar os "ilustres desconhecidos" e "anônimos" que fazem a militância virtual ser real. De egos inflados, o inferno deve estar cheio (assim espero, amém!).

encontro.jpg

O que teria então eu, a acrescentar? Algumas poucas coisas. Mas como dizia Drummond, "De tudo ficou um pouco: de mim; de ti; de Abelardo". Primeiro, que tive a oportunidade de rever vários amigos e conhecer, pessoalmente, outros, que só me relacionava até então pela internet. Ok, isso também é Encontro. Já valeria a pena. Como dizia o outro poeta, xará desta "Petoa" aqui, "Tudo vale a pena se a alma não é pequena."

Aproveitando a deixa, vou contar meu encontro com uma dessas pessoas, de grande alma, o @. Conheci-o em Tucanópolis, no Encontro de Blogueiros que teve lá abril último. A gente saia do auditório da ALESP para ir fumar e conversar. (Tinha que ser na rua, porque nem debaixo das marquises é permitido fumar em Tucanópolis. Mesmo o Enio sendo cadeirante). Lá, fiquei sabendo que ele teria uma conversa com Lula, o Cara.

fumantes_1.jpg

Fui buscar no aeroporto, ele e sua cadeira high-tech, cujo controle de joystick deixava as crianças morrendo de inveja. Depois soube que ele, quando entrevistou o Cara, "convenceu" Lula a participar do 2º Encontro Nacional. Sim, o Enio foi a "fonte" que confirmou em primeira mão a presença do Cara no evento aqui no DF.

Ou seja, sou "amigo do amigo do Cara". Tenho orgulho de ter tomado cachaça com ele e com tantos outros companheiros. Sei que as más línguas já estão me acusando de ter subvertido o Encontro, fornecendo a "marvada", inclusive dentro da sala onde participava da mesa sobre "militância e humor". Né, @?

alambique.jpg

Em minha defesa, parafraseando Getúlio Vargas, digo o seguinte: "a cachaça é nossa". Fui buscar direto da fonte (na fazenda de meu primo, ou seja, tá tudo em casa) e ninguém reclamou da qualidade do produto. Muito pelo contrário. Uma amostra dela chegou até a Bahia, presenteada que foi ao @. Falando nisso, comentei com o pessoal, que o único problema do próximo Encontro Nacional ser na Bahia, é que eu não sei se volto de lá. Mas isso, a gente vê depois.

Abraços a todos.








Fonte: TeiaLivreLink

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"Tomem o Poder"

No último sábado, José Dirceu participou do 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas em Brasília. Entre muitos assuntos debatidos, liberdade de imprensa, liberdade de expressão e documentos ocultados da época da ditadura não puderam ficar de fora.

Sem hesitar, Dirceu respondeu tudo muito bem humorado, sem fugir de questões polêmicas, como sua opinião sobre os blogueiros, processos recebidos, documentos ocultos, STF entre outros. Como Dirceu falou, a mídia tem uma importância muito grande na opinião das pessoas, mas são os blogueiros. “...é essa mídia alternativa que vai mostrar o outro lado, como aconteceu nas últimas eleições”.

Dirceu tentou se esquivar para dar sua opinião sobre os meios de comunicação no Brasil. “Minha opinião já não importa mais, sou apenas um cidadão civil como qualquer outro”, mas enfatizou ao dizer que “...não se pode tirar a importância da rede Globo como exportadora de conteúdo da cultura brasileira”. E como o próprio José Dirceu falou, nós da rede da Blogosfera, temos uma responsabilidade muito grande. E o que os blogueiros devem fazer na comunicação? “Tomem o poder”, diz Dirceu.

Qual é a importância da web hoje nos meios de comunicação?

Talvez não tenha nada mais importante nos últimos anos do que a internet como um movimento de blogueiros para garantir a manutenção de liberdade de expressão, pois há movimentos claros no sentido contrário. Existe uma briga política também, pois informar é exercer o poder político. E esse poder político está sendo democratizado no Brasil, o que é natural também, não vejo isso como ir contra aos meios de comunicação no Brasil, quanto mais, melhor, isso sem tirar a importancia e o papel dos meios de comunicação.

E qual importância desses meios hoje, mesmo com a internet concorrendo?

Eu nao vou negar a importância da Globo como produtora de conteúdo, como exportadora de conteúdos e da cultura brasileira. O bom é ter mais meios de comunicação, mais meios de informação e a internet possibilitou isso. Fora o papel de uma nova forma de organização que a internet permite nas redes e nos movimentos sociais e políticos. São excelentes, para a juventude principalmente.

E o que falar ao movimento dos blogueiros no Brasil?

Se eu fosse dar uma palavra de ordem, falaria aos blogueiros “tomem o poder, dos partidos,das redes, da sociedade, tomem o poder, pois é o que a juventude tem que fazer, porque nós estamos fazendo isso há 40, 50 ou 60 anos.

Sigilos
José Dirceu comenta que é muito comum países manterem sigilos em assuntos estratégicos, como fronteira, questões nucleares, mesmo pela segurança de sua população. Documentos da Ditadura, na qual ele foi um grande ativista contra o regime, foram mencionados para que sejam mostrados e responsabilizar os culpados dos desaparecimentos, das torturas e mortes no Brasil na época do regime militar.

Não é ruim os países manterem os assuntos em sigilo, como questões nucleares e documentos da ditadura?

Todos os paises têm uma série de assuntos que são tratados como sigilo, questões nucleares, questões de defesa nacional, de fronteira, integridade territorial... Se ficar restrito só a isso, não tem nada a ver com documentos da época da ditadura, nem outros assuntos do governo.

Mas como saber?


Tem uma comissão, e essa comissão tem que apresentar as razões do que ela quer com o documento. Tem que ser transparente, ficar restrito por que? Não pode ser segredo... Mas isso sempre tem risco, todos os governos em todos os estados. Você pode ter segredos nucleares e depois de 20 anos descobrir que os residuos nucleares não eram bem tratados e isso torna-se segredo de estado. O ideal seria que nós não tivessemos nenhuma restrição, mas a vida é dura né, nao é bem assim.

Mas e a sua opinião, pessoal mesmo...

A minha opinião não tem importância(risos). Não sou mais do governo, sou um cidadão. Antes de mais nada, eu sou a favor de nenhuma restrição sobre a informação, até porque eu fui vítima da ditadura e até hoje nós não temos acesso aos documentos e arquivos, não que eles existam, porque há dúvidas sobre se eles existem, mas isso tem que ser reconstituido e quem destruiu tem que ser punido. Esse processo não começa nunca no Brasil, nem em outros países. Isso não tem nada a ver com anistia.

O Governo recentemente enterrou a possibilidade de rever os documentos...

O Supremo Tribunal Federal, não o governo. E quando o STF deu o padecer, o Supremo não havia tomado uma posição sobre, ela defendeu uma posição que existe, e esses crimes não prescrevem portanto estão na lei da anistia. São crimes de tortura, assassinatos políticos, ocultação de cadaver, uma série de crimes que foram cometidos, mas não foi entendimento do Supremo. A AGU(Advocacia Geral da União) não pode defender uma tese(contrária) dada há dois meses pelo supremo.

Lei da anistia?

Eu vou continuar defendendo a posição que mais cedo ou mais tarde a liga internacional será declarado que o Brasil está fora da lei, porque não se pode dizer que crimes que foram cometidos na ditadura militar não sejam alvo de investigações. Qual pais, principalmente na America do Sul, não tem esse segredos? Não estamos pedindo pra processar ninguém, nós como sociedade civil queremos a responsabilidade, reconhecer os autores dos crimes praticados, que eles pelo menos sejam expostos, porque nós temos transparência, tudo o que nós fizemos nós fomos processados. É engraçado, nós fomos processados, exilados, torturados, presos, perdemos empregos, famílias, uns foram assassinados, centenas ainda estão desaparecidos, agora querem reciprocidade, investigar os torturadoes e investigaram nós também. Isso é uma aberração, não estamos pedindo nada demais,queremos a verdade só. Uma comissão da justiça da verdade.

Pois é, e depois dessa entrevista, José Dirceu deixou em aberto um pensamento. Será que iremos abrir a caixa preta da ditadura militar? AGORA VAI...