terça-feira, 6 de agosto de 2013
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domingo, 6 de maio de 2012
“Renée France de Carvalho - UMA VIDA DE LUTAS”
sábado, 17 de março de 2012
ANTT. MANOBRA DE EMPRESÁRIOS JUNTO AO SENADO?
ADAMO BAZANI – CBN
O Propass Brasil – Projeto da Rede Nacional de Transporte Rodoviário Interestadual e Internacional, que contempla a licitação de 1967 linhas de ônibus, corre o risco de atrasar novamente.
Desta vez, no entanto, não é por causa dos diversos pontos de divergência entre empresários de ônibus e a ANTT – Agência Nacional de Transportes Terrestres. O motivo é a falta de diretores colegiados do órgão do Governo Federal.
O edital de licitação que estava previsto para ser concluído em abril, depois do período de contribuições e sugestões, que termina nesta sexta-feira, dia 09 de março, precisa ter o aval de pelo menos três membros da diretoria colegiada, que possui cinco integrantes.
No entanto, a Agência hoje tem apenas duas pessoas na diretoria, o que impediria de a licitação continuar no cronograma.
Em 18 de fevereiro, acabaram os mandatos do diretor-geral, Bernardo Figueiredo, e de outro diretor, Mário Rodrigues Júnior. Um cargo está há quase um ano e meio desocupado.
Só trabalham atualmente dois diretores do colegiado: Ivo Borges de Lima e Jorge Macedo Bastos.
Apenas os dois não podem deliberar sobre o edital definitivo que deve ser confeccionado.
Nesta última quarta-feira, dia 07 de março, o impasse se tornou maior porque o Senado Federal rejeitou a recondução de Bernardo Figueiredo ao cargo. A presidente Dilma Rousseff precisa conseguir um novo nome oficial para a direção –geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres. O nome do outro diretor que teve o mandato vencido em 18 de fevereiro, Mário Rodrigues Júnior, ainda está sendo analisado pelo Senado e não há perspectiva da data de votação.
MANOBRA DE EMPRESÁRIOS JUNTO AO SENADO?
Diante da polêmica, nos bastidores do Senado existe a versão de que o imbróglio para a recondução dos diretores aos cargos seria uma manobra política promovida por empresários de ônibus que possuem uma bancada de parlamentares a favor de suas causas.
As empresas de ônibus negam e atribuem o fato a uma desatenção da ANTT por permitir que um cargo, que seria justamente o terceiro junto com os diretores que atuam hoje, possibilitando a licitação, ficasse desocupado por mais de um ano.
A licitação é a maior da história dos transportes rodoviários do País.
E há vários pontos de divergência entre empresários e a ANTT.
Um deles é a quantidade de frota. A ANTT estabeleceu que a frota para as 1967 linhas de ônibus seja de 6 mil 152 veículos com mais 639 de reserva.
Os empresários dizem que o número será insuficiente e alertam que pode haver falta de atendimento aos passageiros. Para as companhias, seriam necessários entre 10 mil e 13 mil ônibus. Atualmente, a frota cadastrada é de 16 mil 325 ônibus.
A ANTT rebate e diz que a frota de 6 mil 152 ônibus poderá atender o sistema, que será mais racional e com menos linhas que se sobreponham em boa parte do trajeto. Além disso, a ANTT diz que os empresários ao falarem sobre a frota, se referem aos ônibus cadastrados e nem todos os veículos cadastrados operam de fato.
Governo Federal e empresas também discordam quanto à taxa de ocupação. Para as empresas, a ANTT chegou a uma dimensão da taxa acima da realidade, inflando as perspectivas de lucros das empresas e dando margem à concorrência maiores em algumas linhas, que segundo as companhias, poderia deixar as operações economicamente inviáveis.
A linha Rio – São Paulo, a mais movimentada do País, para a ANTT tem uma taxa de ocupação em horários e dias de maior movimento de 95%. As empresas dizem que essa taxa nestas ocasiões da linha não passa de 70%.
Hoje operam a linha Rio – São Paulo, quatro grandes empresas de ônibus: Itapemirim, Expresso Brasileiro, Auto Viação 1001 e Expresso do Sul (estas duas últimas são do mesmo grupo empresarial, o JCA).
Pelas normas da licitação, a linha Rio – São Paulo teria pelo menos outra operadora.
As empresas dizem que não há tanto espaço para mais concorrência.
Quase todas as linhas de ônibus operam em desacordo com a Constituição de 1988, com permissões. A Constituição determina que serviços como de transportes sejam regidos por contratos de concessão.
Para regularizar a situação, um decreto determinou em 1993 que estas linhas de ônibus teriam as permissões vencidas em 2008, quando deveria ser realizada a licitação.
Em 2008, a ANTT tentou fazer o certame, mas novamente os desentendimentos entre empresas e Governo Federal e erros no dimensionamento do sistema, que tinha poucos dados reais, postergaram o certame.
A ANTT então encomendou um amplo estudo da FGV – Fundação Getúlio Vargas e depois de vários levantamentos previu para outubro de 2012 a conclusão do certame. As linhas seriam assumidas efetivamente em 2013. Mas as indefinições quanto às diretorias da ANTT podem fazer com que mais uma vez a licitação atrase.
A forma da distribuição de linhas também desagrada os empresários. O sistema de ônibus foi dividido em 18 grupos com 60 lotes no ProPass Brasil.
Os donos de empresas de ônibus dizem que esta divisão pode tornar mais difíceis as operações pelo fato de, na visão das empresas, muitas companhias serem obrigadas a criar novos pontos de apoio ou operarem em áreas onde não tinham tradição e conhecimento da região, enquanto áreas praticamente vizinhas fazem parte de grupos e lotes diferentes.
A ANTT diz que os lotes e grupos foram estudados e fazem parte de um sistema mais racional de operação.
Para a equilibrar o sistema, a ANTT diz que o edital prevê uma espécie de subsídios cruzados entre as empresas e consórcios dos grupos e dos lotes.
Isto significa que uma empresa que assumir uma linha altamente lucrativa vai ter de assumir outra com menos rentabilidade, mais dificuldade operacional, porém de interesse social.
As empresas dizem que na prática, os subsídios cruzados já existem.
O tempo de parada dos ônibus, entre uma viagem e outra, quando são realizadas ações nos veículos como limpeza e manutenções, é considerado baixo pelas empresas, justamente pelo fato de nem todas as rodoviárias ficarem abertas 24 horas por dia ou próximas aos pontos de apoio ou garagens.
A ANTT diz que quer modernizar o sistema de transportes rodoviários, que tem perdido passageiros. Para isso, a frota deve ser renovada, com idade média de 5 anos e máxima de 10 anos. Hoje a idade média dos ônibus rodoviários no Brasil é de 14 anos. Redução no preço dos bilhetes e modernização nas formas de comercialização, como vendas pela internet e em postos de auto-atendimento também são previstos pela ANTT.
As companhias dizem que as menores empresas não conseguirão se adequar a todas as exigências do edital e à forma de distribuição das linhas, podendo encerrar as atividades, o que causaria desemprego no setor.
A ANTT diz que as empresas menores podem se associar em consórcios.
A Agência diz que espera mais profissionalismo dos operadores e maior controle sobre o sistema, tão grande era a falta de controle que a ausência de dados reais teria postergado a licitação em 2008.
Assim, além de uma postura mais rígida por parte da Agência e de um maior comprometimento legal por parte das empresas, para este maior controle, a tecnologia será uma aliada. Os ônibus serão monitorados por GPS e os passageiros poderão ter informações como a previsão de chegada dos veículos.
Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes
segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
No rumo certo - Por Zé Dirceu
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
6 meses do Brasil sem Miséria. E ninguém viu
O Governo publicou nesta quinta-feira nos jornais do PiG (*) meia página de anúncio para fazer um balanço de seis meses do Programa Brasil Sem Miséria.
Vá a www.brasilsemmiseria.gov.br
É uma súmula do que a Presidenta tinha dito no Blog do Planalto.
407 mil famílias estão já inscritas – em seis meses de programa – no cadastro único que dará acesso ao Bolsa Família.
Como se sabe, um dos desafios do Brasil sem Miséria é o Estado chegar aos mais pobres.
Localizá-los, para atendê-los.
Mais 1,3 milhão de crianças e adolescentes passaram a fazer parte do Programa.
Daqui a um tempo, entram no ProUni e depois vão estudar em Harvard.
(Harvard, na verdade, é um perigo.
Como diz o Amaury, os Privatas Tucanos estudaram na PUC do Rio e foram aprender a lavar dinheiro em Harvar ( – é assim mesmo, revisor. Obrigado).
É melhor em Cambridge, digamos …
Ainda mais que o Brasil ficou maior do que a Inglaterra e pode subsidiar Cambridge, como o Kadafi fazia com London School of Economics …
Essa Dilma …)
O anuncio do Governo desta quinta feira dá conta também das 61 mil vagas em cursos de qualificação que o Programa criou: na construção civil, hotelaria, comercio, bares e restaurantes, industria.
Um horror !
Estão em construção 2.122 Unidades Básicas de Saúde.
O problema, amigo navegante, é que o Governo tem que pagar anuncio para divulgar esses feitos.
Por que a Presidenta não ocupa o horário nobre toda semana – nada mais que uns sete minutos – com reportagens sobre, por exemplo, uma das 563 novas equipes do Programa Brasil Sorridente ?
Já imaginou um velhinho sorrindo no horário nobre, com a dentadura reluzente ?
Quando já se viu isso – um velhinho sorrindo – no horário nobre ?
No jornal do Ali Kamel só tem desgraça, o Brasil vai acabar toda semana.
Se o Brasil resiste à Urubologa de manhã, o Kamel derruba à noite.
Com o velhinho da dentadura, porém, o IBOPE vai estourar !
Em tempo: Bernardo, cadê o ante-projeto do Franklin ? Já achou ?
Paulo Henrique Amorim
terça-feira, 27 de dezembro de 2011
Cinismo absoluto: ONG de corruptos do DEM/PPS, que roubaram a saúde de Brasília, ataca Marinha e Presidenta Dilma
Quem fez farra com dinheiro público nas férias?
A ilha da fantasia
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Os corruptores e o silêncio da mídia
Pimentel e Palocci têm algo em comum além do P do sobrenome e de participarem do ministério da presidenta Dilma: ambos ganharam dinheiro como consultores.
A diferença é que Palocci exercia função pública e Pimentel não. Pimentel não tinha cargo no Executivo nem no Legislativo e é professor licenciado da Universidade de Minas Gerais, sem receber rendimento algum (o que seria um direito seu).
Depois de sua demissão, não se falou mais de Palocci. Se havia a suspeita de que o agora ex-ministro Antonio Palocci recebera indevidamente R$ 20 milhões que sua empresa de consultoria teria faturado nos últimos anos, a suspeita tem que valer para os dois lados. Se há um corrupto tem que haver o agente corruptor.
Pois o blog do jornalista Lucas Figueiredo publicou uma lista com clientes da empresa Projeto, do ministro Palocci, em maio deste ano.
Alguém sabe em que pé estão as investigações para descobrir das empresas abaixo que tipo de consultoria Palocci lhes prestou?
- Itaú Unibanco
- Pão de Açúcar
- Íbis
- LG
- Samsung
- Claro-Embratel
- TIM
- Oi
- Sadia Holding
- Embraer Holding
- Dafra
- Hyundai Naval
- Halliburton
- Volkswagen
- Gol
- Toyota
- Azul
- Vinícola Aurora
- Siemens
- Royal Transatlântico
Amigo leitor, quando nossa "grande imprensa" vai publicar reportagem com executivos dessas empresas contando qual foi sua relação com Palocci?
A resposta é óbvia: Nunca. Porque o que eles querem desde o início, e assim prosseguem, é derrubar a presidenta Dilma, que prossegue - como diria Nelson Rodrigues - alimentando o câncer com papinhas.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Governo vai investir R$ 4 bilhões em ações contra o crack e outras drogas
Governo lança conjunto de ações para enfrentar o crack. Investimento soma R$ 4 bilhões. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR O governo federal lançou hoje (7) um conjunto de ações para enfrentar o crack e outras drogas. Com investimento de R$ 4 bilhões, as medidas pretendem aumentar a oferta de tratamento de saúde aos usuários de drogas, enfrentar o tráfico e as organizações criminosas, e ampliar ações de prevenção. Com o mote Crack, é possível vencer, as ações estão estruturadas em três eixos: cuidado, autoridade e prevenção. Cuidado -- O Eixo Cuidado prevê a ampliação e qualificação da rede de atenção à saúde voltada aos usuários. Serão criadas enfermarias especializadas nos hospitais do Sistema Único de Saúde (SUS) para atendimentos e internações de curta duração durante crises de abstinência e em casos de intoxicações graves. Até 2014, o Ministério da Saúde vai repassar recursos para que estados e municípios criem 2.462 leitos nessas enfermarias especializadas. Para isso, o valor da diária de internação crescerá 250% -- de R$ 57 para até R$ 200. Ao todo, serão investidos R$ 670,6 milhões. Outra ação prevista no Eixo Cuidado é a criação de 308 consultórios de rua para atendimento nos locais onde há maior incidência de consumo de crack. As equipes serão compostas por médicos, enfermeiros e técnicos de enfermagem. A ação, que terá recursos de R$ 152,4 milhões, atenderá municípios com mais de 100 mil habitantes. Os recursos já estão disponíveis e aguardam apenas a adesão dos municípios. Já os Centros de Atenção Psicossocial para Álcool e Drogas (CAPSad) passarão a funcionar 24 horas por dia, 7 dias por semana. Até 2014, serão 175 unidades em todo o país. Cada centro oferecerá tratamento continuado para até 400 pessoas por mês. O atendimento será reforçado também pela criação de Unidades de Acolhimento, que cuidarão em regime residencial por até seis meses, para manutenção da estabilidade clínica e o controle da abstinência. Para o público adulto, serão criados 408 estabelecimentos, com investimentos de R$ 265,7 milhões até 2014. Já para o acolhimento infanto-juvenil, serão 166 pontos exclusivos para o público de 10 a 18 anos de idade, com investimento de R$ 128,8 milhões. Veja mais apresentações do Blog do Planalto Autoridade -- As ações policiais de repressão ao tráfico de drogas serão realizadas nas fronteiras e nas áreas de uso de drogas. Serão intensificadas as ações de inteligência e de investigação para identificar e prender os traficantes, bem como desarticular organizações criminosas que atuam no tráfico. O contingente das Polícias Federal e Rodoviária Federal será reforçado com contratação de mais de dois mil novos policiais. Está prevista também a implementação de policiamento ostensivo e de proximidade nas áreas de concentração de uso de drogas, onde serão instaladas câmeras de videomonitoramento fixo. A expectativa é que a utilização de câmeras contribua para inibir a prática de crimes, principalmente o tráfico de drogas. O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, explicou que o governo federal não dispõe de informações precisas sobre a violência no país. Os dados mais recentes sobre criminalidade, segundo ele, são de 2008.
Dentro do Eixo Autoridade, também foi anunciado o apoio aos projetos de lei, em tramitação na Câmara dos Deputados, que tipifica o crime de participação em organização criminosa e que agiliza o processo de extradição. O governo também formalizou o apoio ao projeto de lei já aprovado pela Câmara e em tramitação no Senado, que acaba com a lista de específica de crimes antecedentes para se caracterizar a prática de lavagem de dinheiro. Prevenção – O Programa de Prevenção do Uso de Drogas na Escola prevê a capacitação de 210 mil educadores e 3,3 mil policiais militares para prevenção do uso de drogas em 42 mil escolas públicas. Estima-se que serão beneficiados 2,8 milhões de alunos por ano. Já o Programa de Prevenção na Comunidade pretende capacitar 170 mil líderes comunitários até 2014. Está prevista ainda a realização de campanhas para informar, orientar e prevenir a população sobre o uso do crack e de outras drogas. O serviço de atendimento telefônico gratuito de orientação e informação sobre drogas VivaVoz passará para o número 132, para facilitar o acesso ao cidadão. Além disso, o Portal Enfrentando o Crack reúne as informações sobre o tema e está disponível em www.brasil.gov.br/ |
Brasil terá uma política moderna e corajosa de enfrentamento das drogas, diz presidenta Posted: 07 Dec 2011 07:52 AM PST Presidenta Dilma participa de cerimônia de lançamento de ações de enfrentamento do crack. Foto: Roberto Stuckert Filho/PR A presidenta Dilma Rousseff defendeu hoje (7) um pacto entre governo e sociedade para enfrentar o crack no país. Na cerimônia de lançamento do programa Crack, é possível vencer, a presidenta afirmou que o governo federal, em parceria com estados e municípios, vai combater o crack “sem vacilação”. Segundo ela, um país que provou que é possível crescer e distribui renda e que tirou 40 milhões de pessoas da pobreza, também terá uma “política sistemática, ampla, moderna, corajosa e criativa de enfrentamento das drogas”
Aos pais dos dependentes químicos, Dilma Rousseff disse que o governo fará o que estiver ao seu alcance pela recuperação dos seus filhos.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, dados sobre a dependência química no Brasil revelam que o país vive hoje uma epidemia do crack.
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terça-feira, 6 de dezembro de 2011
Globo reconhece integridade de Pimentel
Ricos no governo
Para não dizerem que a gente só fala mal do governo: a presidente Dilma reagiu corretamente à notícia de que o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, embolsara R$2 milhões em serviços de consultoria nos dois anos anteriores à posse no ministério.
Ela mandou que o ministro fosse para Brasília ainda no fim de semana - o que costuma ser castigo cruel para o pessoal do primeiro escalão - para explicar a origem desse dinheirão.
"Você não tem nada a esconder", disse ela a ele. Pois, imaginem só: pelo visto e provado, estava certa. Pimentel mostrou ao GLOBO cópias de seus contratos com a Federação das Indústrias de Minas Gerais e com uma firma particular. E provou que, descontando impostos e os custos de sua empresa, ganhara mesmo R$1,2 milhão. Ficou bem claro que Pimentel não é nenhum Palocci. Se há desmemoriados na plateia, lembremos que Antonio Palocci chefiou a Casa Civil de Dilma até que a imprensa botou a boca no trombone a propósito da veloz multiplicação de seu patrimônio pessoal. Pois vamos guardar na memória também que não há só Paloccis nos gabinetes de Brasília. Em qualquer governo.
O jornal e a opinião pública têm direito ao álibi de que, em tempos paloccianos, a gente tende mesmo a mais desconfiar do que confiar na lisura do comportamento da turma do primeiro escalão. E do segundo e do terceiro também.
Mas é preciso reconhecer que se trata de álibi frágil e injusto: a existência de um Palocci - de cuja desonestidade, também é preciso lembrar, ninguém no Palácio do Planalto parecia desconfiar - não autoriza a mídia e a opinião pública a acreditarem que o primeiro escalão do governo, o atual ou qualquer outro, está infestado por Paloccis.
A reação da presidente e de seu ministro foi correta: uma simples explicação costuma valer bem mais do que uma tonelada de indignação. Note-se que a informação publicada não era errada - mas é preciso reconhecer que o tom era de denúncia. Afinal de contas, quando a gente publica com destaque que alguém ganhou um dinheirão, e não foi apostando na sena, a sugestão implícita é a de que alguma coisa está cheirando mal.
Pois, no caso de Pimentel, não estava. Ficou a lição de que existem cidadãos endinheirados na vida pública - e que se endinheiraram antes de entrar nela.
Fonte: Jornal o Globo - Opinião / Luiz Garcia
Fonte: Amigos do Pimentel
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Dilma Rousseff foi considerada a Brasileira do Ano 2011
D
Dez 5, 2011
Octávio Costa e Adriana Nicacio
No primeiro ano de mandato, a presidente Dilma mostrou pulso firme, manteve o país na rota do crescimento da era Lula e foi destaque na cena internacional
Suceder ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mais carismático e popular da história do Brasil, era, sem dúvida, um grande desafio. Mas a primeira mulher a governar o País não costuma recuar diante de obstáculos. Ao contrário, o que mais emociona a presidenta Dilma Rousseff são exemplos de superação diante das dificuldades da vida. E, neste primeiro ano de mandato, ela deu prova de sua determinação. Comandou um agudo corte orçamentário, mas sem descuidar do crescimento e da geração de empregos. Sob a batuta de Dilma, o Brasil foi uma das poucas economias a crescer em meio a uma gravíssima crise internacional. Em poucos meses, Dilma mostrou seu estilo firme de administrar e bateu o recorde de aprovação da opinião pública em início de governo, deixando para trás o próprio Lula. Em suas viagens ao Exterior, ela também conquistou projeção imediata. “O Brasil hoje se encontra numa situação única. Somos respeitados, sobretudo, porque o mundo percebe a força de ter 190 milhões de habitantes, num regime democrático, capitalista, cumpridor dos contratos e com um imenso viés social”, festejou a presidenta Dilma Rousseff ao receber ISTOÉ em seu gabinete no Palácio do Planalto.
O Brasil, de fato, é a bola da vez na cena internacional. Mas Dilma Rousseff impôs sua presença com uma rapidez impressionante. Primeira mulher a abrir a Assembleia-Geral da ONU, a presidenta da República hoje é considerada a terceira estadista mais poderosa do mundo, em ranking da revista “Forbes”. Tem à frente apenas a chanceler alemã, Angela Merkel, e a secretária de Estado americana, Hillary Clinton. A tradicional revista “The New Yorker” chamou-a de “A Ungida” e afirmou que Dilma “está conduzindo o País num boom econômico”, dando lições de boa governança até mesmo ao presidente dos Estados Unidos, Barack Obama. Num misto de modéstia e gratidão, a presidenta diz que deve ao ex-presidente Lula a acolhida generosa por seus pares nos fóruns multilaterais. Ela cita como exemplo o que aconteceu durante a reunião do G-20, nos dias 3 e 4 de novembro em Cannes, na França, quando os presidentes das 20 maiores economias discutiram a crise global. Dilma contou à ISTOÉ que, assim que tomaram conhecimento de que Lula havia sido internado para se tratar de um câncer na laringe, todos os estadistas fizeram questão de manifestar solidariedade.
PELA PRIMEIRA VEZ NA HISTÓRIA
A presidenta Dilma foi reverenciada por líderes mundiais ao ser
a primeira mulher a abrir a reunião da Assembleia-Geral da ONU
Mas um gesto chamou em especial a atenção da presidenta. Conhecido por sua feição sempre compenetrada – há quem diga que ele poderia ver uma bomba atômica explodir sem piscar os olhos –, o presidente da China, Hu Jintao, aproximou-se de Dilma e disse ao pé do ouvido: “Quero lhe pedir para manifestar ao presidente Lula meus votos de recuperação. Não me dirijo ao líder latino-americano nem ao ex-presidente do Brasil, e, sim, ao meu amigo Lula.” Ao destacar o episódio, a presidenta conta às gargalhadas como se deu a aproximação de Lula e Hu Jintao. Então ministra da Casa Civil, ela foi à Coreia na comitiva presidencial. “Num corredor, Lula avistou o presidente chinês e gritou: Hu Jintao! Pegou na bochecha dele e disse que estava com saudades. Falava em português, como se o Hu Jintao estivesse entendendo tudo. Daquele jeito que só Lula tem, abraçou-o e saiu andando com ele”, lembra. A conclusão de Dilma é de que herdou as relações afetivas que só o ex-presidente é capaz de construir. É natural, portanto, que ela tenha sofrido um choque com a doença de seu dileto amigo. “Nos falamos quase diariamente. Ele está bem”, torce a presidenta.
A boa notícia do ano, na visão da presidenta da República, foi o desempenho da economia. Dilma soube antever que os problemas externos, mais cedo ou mais tarde, iriam bater à porta e decidiu conduzir a política econômica com todo rigor. Em dezembro as previsões indicam que a Europa e os Estados Unidos estão à beira da recessão. Mas para o Brasil as expectativas são otimistas. A economia deve crescer 3,4% neste ano e 3,2% em 2012. A taxa de desemprego caiu para 5,8%, o menor índice para o mês de outubro desde 2002, e o número de trabalhadores com carteira assinada subiu 7,4%. “Foi um ano muito bem-sucedido”, comemora a presidenta.
EM DESTAQUE
Foto oficial de Dilma passou a compor, este ano, a
galeria e presidentes da República do Palácio do Planalto
No governo Dilma, voltou a reinar a paz entre o Ministério da Fazenda e o Banco Central. Alexandre Tombini, no BC, e Guido Mantega, na Fazenda, conduzem a economia em total sintonia. Para evitar conflitos, ninguém mais no governo fala sobre economia. Só Mantega e Tombini estão autorizados a dar declarações e fazer análises de conjuntura. Nesse clima amistoso, o Planalto pôs em prática o antigo desejo de reduzir os juros para ampliar a taxa de investimento interno e baratear o crédito. O primeiro corte de juros veio em 1o de setembro e, como era de esperar, provocou uma reação histérica do mercado financeiro. Alguns analistas atribuíram a decisão do Copom à intervenção do Planalto na política monetária e previram o pior para o País. A presidenta Dilma, entretanto, reafirmou a autonomia do BC e, hoje, faz um brinde ao acerto da decisão. “O Banco Central provou que consegue manter a estabilidade da economia. Persegue com sucesso todas as condições de solidez macroeconômica para podermos crescer”, diz ela.
Convicta de que o País vai continuar a nadar contra a maré internacional, a presidenta concentra seu foco na área social. Ela destaca o lançamento de projetos estratégicos para a correção de desigualdades históricas. O Bolsa Família, com peso cada vez maior nas crianças, é um dos pilares do programa Brasil sem Miséria. Atualmente, dos 16,2 milhões de brasileiros que vivem abaixo da linha de pobreza, 40% são menores de 14 anos. “Minha obsessão é garantir a essas crianças e a esses adolescentes o acesso a uma boa alimentação e às políticas de educação e saúde”, afirma a presidenta. O Água para Todos, lançado em julho, faz parte dessa preocupação. Na Saúde, a presidenta dá ênfase à distribuição gratuita de remédios para diabetes e hipertensão. Desde fevereiro, mais de 6,5 milhões de medicamentos foram distribuídos. “Isso mostra como tinha gente que precisava de remédio sem conseguir”, constata. A presidenta diz que essas são as duas doenças que mais matam no Brasil. E faz referência especial aos programas SOS Emergência, Saúde em Casa e Melhor em Casa, que têm como meta enfrentar a superlotação nos prontos-socorros e a falta de leitos nos hospitais.
A CRIATURA E O CRIADOR
Lula e Dilma usam cocar indígena durante inauguração de ponte sobre o rio Negro, em Manaus
Dilma Rousseff também considera importantíssimo o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec). Para ela, “trata-se da maior reforma da educação profissional já feita no Brasil”. Até 2014, o governo federal vai criar oito milhões de vagas na capacitação de jovens e adultos. Em outra frente, o Ciência sem Fronteiras pretende distribuir 100 mil bolsas de estudo no Exterior a universitários brasileiros. “Queremos colocar gente no Exterior fazendo bolsa sanduíche na graduação e no doutorado. O desafio para mudar o País está na ciência e tecnologia e passa pela educação”, avalia. O Brasil, a seu ver, tem que entrar em outro patamar: “A indústria automobilística não pode só importar carros prontos. Não somos tupiniquins. Isso vale também para as sondas da Petrobras.”
Em contraste com os avanços na área social e o êxito econômico, a cena política foi marcada por sobressaltos. Desde a demissão do ministro-chefe da Casa Civil, Antônio Palocci, em 7 de junho, o País assistiu à queda de praticamente um ministro por mês. Assessores da presidenta, porém, argumentam que a política e as relações com o Congresso são tradicionalmente um terreno movediço. “Essa área nunca é fácil”, afirma uma fonte do Planalto. E garante que a presidenta Dilma tratou as demissões de seus ministros como “ossos do ofício”, preocupada, acima de tudo, em não paralisar seu governo. Embora discuta a reforma ministerial da forma mais reservada possível, com consultas indiretas aos interlocutores, Dilma fará uma troca de cadeiras no início do ano.
APESAR DO CORTE ORÇAMENTÁRIO, OBRAS PARA A COPA
DE 2014 OBEDECERAM AO CRONOGRAMA IMPOSTO POR DILMA
DE OLHO NA COPA
Ao lado de Pelé, Dilma vistoriou as obras da reforma do estádio do Mineirão, em Belo Horizonte
Para além das preocupações e da pesada rotina do cargo, recomenda-se a quem quiser ter uma conversa mais descontraída com a presidenta Dilma que se informe sobre o mundo das artes plásticas. A presidenta é apaixonada por pintura, especialmente pelo acervo do museu Jacquemart-André, no boulevard Haussmann, em Paris. Ali estão, por exemplo, quadros da pintora clássica francesa Elisabeth Vigée-Le Brun, uma das preferidas de Dilma. A presidenta gosta muito de um retrato que Le Brun pintou de Maria Antonieta, a rainha que foi decapitada na Revolução Francesa. A presidenta também elogia a coleção de autorretratos da Galeria Uffizi, em Florença. Ao passar por Paris, na volta da reunião do G-20, em Cannes, Dilma “morreu de vontade” de visitar o Centro Georges Pompidou para ver a exposição do norueguês Edvard Munch, pioneiro do movimento expressionista. Mas a logística de segurança não permitiu, pois a presidenta é sempre acompanhada por um batalhão de fotógrafos. Após as eleições em 2010, ela foi a Paris e revisitou o museu Jacquemart-André. “Todos entraram atrás de mim. A gerente me perguntou se eu estava acompanhada. Disse que não. Mesmo assim, ela pediu que eu me retirasse. Saí com muita vergonha”, confessa.
A paixão pela arte não impediu que a presidenta tornasse pública a rejeição ao ambiente frio do Palácio da Alvorada, obra do arquiteto Oscar Niemeyer. Ela explica que não tem nada contra o Palácio, mas ressalta que não foi feito para morar. Considera a biblioteca maravilhosa, porém sente falta de uma cozinha pequena, pelo menos para esquentar água. A cozinha do palácio fica na extremidade oposta ao quarto da presidenta. Apesar dos senões, a presidenta afirma que “o Alvorada é de dar orgulho aos brasileiros e é adequado a um país como o Brasil”. É um monumento que não deixa a desejar, segundo ela. “Você vê o espanto na cara das pessoas”, diz, e lembra que o presidente Obama ficou embasbacado ao visitá-lo. As filhas de Obama diziam: “Pai, é o palácio mais bonito que conhecemos.”
CUMPRINDO UMA PROMESSA DE CAMPANHA, DILMA ANUNCIOU
A AMPLIAÇÃO DOS PROGRAMAS MINHA CASA MINHA VIDA E PAC 2
FOCO NO SOCIAL
A presidenta lançou, em junho, a segunda fase do principal programa habitacional do governo
NOVO FÔLEGO
Construção do navio Celso Furtado marcou a retomada da indústria naval
No plano administrativo, Dilma Rousseff se emocionou com a criação da Comissão da Verdade, que vai apurar os crimes da ditadura militar, e a sanção da lei de Acesso às Informações Públicas, que prevê o sigilo máximo de 50 anos para documentos oficiais. A presidenta também foi às lágrimas em outros eventos: no lançamento do Plano Nacional dos Direitos da Pessoa com Deficiência e ao receber em audiência atletas dos Jogos Parapan-Americanos. Ela admite que exemplos de superação mexem com seu coração. “Fiquei impressionada com aquele menino (o nadador Daniel Dias) com 11 medalhas. Ele me disse que transformou o defeito em vantagem”, conta. Dilma diz que “viver é perigoso”, citando Guimarães Rosa, mas acrescenta que vencer obstáculos é mais difícil ainda para quem tem restrição física.
Na verdade, superação de dificuldades é um traço marcante da vida de Dilma Rousseff, que completa 64 anos no dia 14 de dezembro. Filha de um imigrante búlgaro, ela participou da luta armada, foi presa, torturada e sobreviveu aos carrascos por milagre. Conseguiu reconstruir sua vida e, hoje, é presidenta da República. O que espera para o futuro? Dilma bate três vezes no tampo da mesa, três vezes na parte de baixo e responde: “Lula me deixou um legado e eu vou passá-lo para a frente. Estamos construindo tudo para esse País crescer de forma segura e sustentável.”






