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sábado, 8 de dezembro de 2012

Marcos Coimbra: Na política, “vamos precisar de estômago forte” em 2013


2013 vai ser difícil

Por Marcos Coimbra

Um espectro ronda a política brasileira. O fantasma da próxima eleição presidencial.

Este ano já foi marcado por ele.

Ou alguém acredita que é genuína a inspiração ética por trás da recente onda moralista, que são sinceras as manchetes a saudar “o julgamento do século”? Que essas coisas são mais que capítulos da luta política cujo desfecho ocorrerá em outubro de 2014?

A história dos últimos 10 anos foi marcada por três apostas equivocadas que as elites brasileiras, seus intelectuais e porta-vozes fizeram. A primeira aconteceu em 2002, quando imaginaram que Lula não venceria e que, se vencesse, seria incapaz de fazer um bom governo.

Estavam convencidos de que o povo se recusaria a votar em alguém como ele, tão parecido com as pessoas comuns. Que terminaria a eleição com os 30% de petistas existentes. E que, por isso, o adversário de Lula naquela eleição, quem quer que fosse, ganharia.

O cálculo deu errado, mas não porque ele acabou por contrariar o prognóstico. No fundo, todos sabiam que a rejeição de Fernando Henrique Cardoso não era impossível que José Serra perdesse.

A verdadeira aposta era outra: Lula seria um fracasso como presidente. Sua vitória seria um remédio amargo que o Brasil precisaria tomar. Para nunca mais querer repeti-lo.

Quando veio o “mensalão”, raciocinaram que bastaria aproveitar o episódio. Estava para se cumprir a profecia de que o PT não ultrapassaria 2006. Só que Lula venceu outra vez e a segunda aposta também deu errado. E ele fez um novo governo melhor que o primeiro, aos olhos da quase totalidade da opinião pública. Em todos os quesitos relevantes, as pessoas o compararam positivamente aos de seus antecessores, em especial aos oito anos tucanos.

A terceira aposta foi a de que o PT perderia a eleição de 2010, pois não tinha um nome para derrotar o PSDB. Que ali terminaria a exageradamente longa hegemonia petista na política nacional. De fato não tinha, mas havia Lula e seu tirocínio. Ele percebeu que, Com Dilma Rousseff, poderia vencer.

O PT ultrapssaou as barreiras de 2002, 2006 e 2010.

Estamos em marcha batida para 2014 e as oposições, especialmente seu núcleo duro empresarial e midiático, se convenceram de que não podem se dar ao luxo de uma quarta aposta errada. Que o PT não vai perder, por incompetência ou falta de nomes, a próxima eleição. Terão de derrotá-lo.

Mas elas se tornaram cada vez mais descretes da eficácia de uma estratégia apenas positiva. Desconfiam que não têm uma candidatura capaz de entusiasmar o eleitorado e não sabem o que dizer ao País. Perderam tempo com Serra, Geraldo Alckmin mostrou-se excessivamente regional e Aécio Neves é quase desconhecido pela parte do eleitorado que conta, pois decide a eleição.

Como mostram as pesquisas, tampouco conseguiram persuadir o País de que “as coisas vão mal”. Por mais que o noticiário da grande mídia e seus “formadores de opinião”insistam em pintar quadros catastróficos, falando sem parar em crises e problemas, a maioria acha que estamos bem. Sensação que é o fundamento da ideia de continuidade.

As oposições perceberam que não leva a nada repetir chavões como “o País até que avançou, mas poderia estar melhor”, “Tudo de positivo que houve nas administrações petistas foi herança de FHC”, “Lula só deu certo porque é sortudo” e “Dilma é limitada e má administradora”. A população não acredita nessa conversa. Faltam nomes e argumentos às oposições. Estão sem diagnóstico e sem propostas para o Brasil, melhores e mais convincentes que aquelas do PT.

Nem por isso vão criuzar os braços e aguardar passivamente uma nova derrota. Se não dá certo por bem, que seja por mal. Se não vai na boa, que seja no tranco.

Fazer política negativa é legítimo, ainda que desagradável. Denúncias, boatos, hipocrisias, encenações, tudo isso é arma usada mundo afora na briga política.

A retórica anticorrupção é o bastião que resta ao antilulopetismo. Mas precisa ser turbinada e amplificada. Fundamentalmente, porque a maioria das pessoas considera os políticos oposicionistas tão corruptos – ou mais – que os petistas.

O que fazer? Aumentar o tom, falar alto, criar a imagem de que vivemos a época dos piores escandalos de todos os tempos. Produzir uma denúncia, uma intriga, uma acusação atrás da outra.

Pelo andar da carruagem, é o que veremos na mídia e no discurso oposicionista ao longo de 2013. Já começou.

Vamos precisar de estômago forte.

domingo, 18 de novembro de 2012

O encanto dos orixás - Por Leonardo Boff


       
 Quando atinge grau elevado de complexidade, toda cultura encontra sua expressão artística, literária e espiritual. Mas ao criar uma religião a partir de uma experiência profunda do Mistério do mundo, ela  alcança sua maturidade e aponta para valores universais. É o que representa a Umbanda, religião, nascida em Niterói, no Rio de Janeiro, em 1908, bebendo das matrizes da mais genuina brasilidade, feita de europeus, de africanos e de indígenas. Num contexto de desamparo social, com milhares depessoas desenraizadas, vindas da selva e dos grotões do Brasil profundo, desempregadas, doentes pela insalubridade notória do Rio nos inícios do século XX, irrompeu uma fortíssima experiência espiritual.
       O interiorano Zélio Moraes atesta a comunicação da Divindade sob a figura do Caboclo das Sete Encruzilhadas da tradição indígena e do Preto Velho da dos escravos. Essa revelação tem como destinatários primordiais os humildes e destituídos de todo apoio material e espiritual. Ela quer reforçar neles a percepção da profunda igualdade entre todos, homens e mulheres, se propõe potenciar a caridade e o amor fraterno,  mitigar as injustiças, consolar os aflitos e reintegrar o ser humano na natureza sob a égide do Evangelho e da figura sagrada do Divino Mestre Jesus.
       O nome Umbanda é carregado de significação. É composto de OM (o som originário do universo nas tradições orientais) e de BANDHA (movimento inecessante da força divina). Sincretiza de forma criativa elementos das várias tradições religiosas de nosso pais criando um sistema coerente. Privilegia as tradições do Candomblé da Bahia por serem as mais populares e próximas aos seres humanos em suas necessidades. Mas não as considera como entidades, apenas como forças ou espíritos puros que através dos Guias espirituais se acercam das pessoas para ajudá-las. Os Orixás, a Mata Virgem, o Rompe Mato, o Sete Flechas, a Cachoeira, a Jurema e os Caboclos representam facetas arquetípicas da Divindade. Elas não multiplicam Deus num falso panteismo mas concretizam, sob os mais diversos nomes, o único e mesmo Deus. Este se sacramentaliza nos elementos da natureza como nas montanhas, nas cachoeiras, nas matas, no mar, no fogo e nas tempestades. Ao confrontar-se com estas realidades, o fiel entra em comunhão com Deus.
       A Umbanda é uma religião profundamente ecológica. Devolve ao ser humano o sentido da reverência face às energias cósmicas. Renuncia aos sacrifícios de animais para restringir-se somente às flores e à luz, realidades sutis e espirituais.
       Há um diplomata brasileiro, Flávio Perri, que serviu em embaixadas importantes como Paris, Roma, Genebra e Nova York que se deixou encantar pela religião da Umbanda. Com recursos das ciências comparadas das religiões e dos vários métodos hermenêuticos elaborou perspicazes reflexões que levam exatamente este título O Encanto dos Orixás, desvendando-nos a riqueza espiritual da Umbanda. Permeia seu trabalho com poemas próprios de fina percepção espiritual. Ele se inscreve no gênero dos poetas-pensadores e místicos como Alvaro Campos  (Fernando Pessoa), Murilo Mendes, T. S. Elliot e o sufi Rumi. Mesmo sob o encanto, seu estilo é contido, sem qualquer exaltação,  pois é esse rigor que a natureza do espiritual  exige.
       Além disso, ajuda a desmontar preconceitos que cercam a Umbanda, por causa de suas origens nos pobres da cultura popular, espontaneamente sincréticos. Que eles tenham produzido significativa espiritualidade e criado uma religião cujos meios de expressão são puros e singelos revela quão profunda e rica é a cultura desses humilhados e ofendidos, nossos irmãos e irmãs. Como se dizia nos primórdios do Cristianismo que, em sua origem também era uma religião de escravos e de marginalizados, “os pobres são nossos mestres, os humildes, nossos doutores”.
       Talvez algum leitor/a estranhe que um teólogo como eu escreva tudo isso que escrevi. Apenas respondo: um teólogo que não consegue ver Deus para além dos limites de sua religião ou igreja não é um bom teólogo. É antes um erudito de doutrinas. Perde a ocasião de se encontrar com Deus que se esconde por detrás das doutrinas, que se comunica por outros caminhos e que fala por diferentes mensageiros, seus verdadeiros anjos.
       Deus desborda de nossas cabeças e dogmas. Na verdade, como dizem os místicos, Deus não em religião. Nós as nventamos para poder sobreviver quando nos encontramos com Ele. Caso contrário, morreríamos de tanto êxtase e beleza.
Leonardo Boff, teólogo, filósofo e escritor.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Câmara marca votação de projeto de Azeredo #AI5digital #DigaNÃO

:: Luís Osvaldo Grossmann
:: Convergência Digital :: 27/06/2011

Depois dos ataques de hackers aos sites do governo brasileiro - que mobilizou a área de segurança da informação governamental nos últimos dias - o tema lei para combate aos cibercriminosos volta à cena.

Congelado há dois anos, mas ressuscitado nesta legislatura, o projeto de lei sobre crimes cibernéticos, com novo relatório, voltou à pauta da comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, que marcou sua votação para a próxima quarta-feira, 29/6.

Autor do polêmico substitutivo ao PL 84/99, aprovado no Senado, o agora deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) é mais uma vez responsável pelo texto em discussão – ele recuperou o projeto, abandonado em 2009, por acordo, e fez algumas mudanças.

Em uma delas foi retirado do texto um dos pontos mais controversos da proposta: aquele que obrigava provedores de acesso a denunciarem às autoridades “indícios de práticas de crimes”.

Além dessa, Azeredo retirou do texto termos como “dispositivo de comunicação” e “redes de computadores”, e substituiu “dados informáticos” por “dados eletrônicos”. Segundo o deputado, a mudança busca impedir a criminalização de “condutas banais”.

A proposta mantém a obrigação para que provedores armazenem, por três anos, “os dados de endereçamento eletrônico da origem, hora, data e a referência GMT da conexão”, que podem ser solicitados por ordem judicial.

Como houve dificuldade na construção de um acordo para a votação do projeto, a própria comissão de Ciência e Tecnologia engavetou a proposta em 2009, por entender que deveria esperar a definição do marco civil da internet.

Azeredo, no entanto, discorda dessa espera – o texto do marco civil ainda está sendo elaborado pelo Ministério das Justiça – e como integrante da comissão de mérito tratou de retomar o andamento da proposta.

Com exceção das mudanças citadas, o projeto preserva o que foi aprovado em 2008 no substitutivo do próprio Azeredo quando no Senado, estabelecendo 10 tipos penais relacionados a crimes cometidos com o uso da internet. São eles:

1) Acesso não autorizado a sistema informatizado;

2) Obtenção, transferência ou fornecimento não autorizado de dado ou informação;

3) Divulgação ou utilização indevida de informações e dados pessoais;

4) Dano (a dado eletrônico alheio);

5) Inserção ou difusão de código malicioso;

6) Estelionato Eletrônico;

7) Atentado contra a segurança de serviço de utilidade pública;

8) Interrupção ou perturbação de serviço telegráfico,telefônico, informático, telemático ou sistema informatizado;

9) Falsificação de dado eletrônico ou documento público; e

10) Falsificação de dado eletrônico ou documento particular.

Como o projeto já passou uma vez pela Câmara e foi votado no Senado, não é passível de sofrer mudanças significativas – pois voltaria à estaca zero. Daí a opção de Azeredo de apenas suprimir alguns pontos.


Convergência Digital - Segurança - Crimes cibernéticos: Câmara marca votação de projeto de Azeredo

sexta-feira, 24 de junho de 2011

Brizola Neto no #2BlogProg

Companheiro Brizola Neto, do Blog Tijolaço manda um Alô para Ativistas e Blogueiros de Minas Gerais!

quinta-feira, 23 de junho de 2011

"Confesso que vivi e bebi no 2º Encontro"

Postado por:

No último fim de semana, realizou-se aqui em Brasília, o 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Até aí, morreu Neves. Ou pelo menos, um caiu do cavalo, no dia em que iniciavamos o tal Encontro. Ok, vocês já sabem disso. Mais de 400 inscritos, 30 mil pessoas acompanhando on-line as transmissões do Evento. Lula, o Cara, participou da Abertura. Agnello Queiroz, Governador do DF, fez as honras da casa. Ministro Paulo Bernardo, simpático e educado, foi trollado ao vivo pelo @. Zé Dirceu apareceu no sábado. Emir Sader, prof. Venício Lima também (coitado, o povo insiste em chamá-lo de Vinícius), etc, etc.

z__dirceu.jpg

Vários artigos e textos foram publicados a respeito, repercutindo a sua importância. Alguns destacando o pânico que o PIG deve ter ficado com o crescimento do movimento da blogosfera em seus calcanhares. Outros analisando a importância histórica do Encontro. Outros dizendo até que o seu autor propôs alteração no "Ponto G" da carta final, seja lá o que isso signifique ou implique. Né, @?.

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Sem querer cometer injustiças, e já cometendo, vou citar apenas alguns. O sempre combativo deputado @ postou: "Blogueiros progressistas lançam carta após II Encontro Nacional ". O já citado @ escreveu que a "Imprensa se assustou com o Encontro de blogueiros | Blog da Cidadania ". No #TeiaLivre tem o artigo do meu brother, @, que nos contou de suas impressões gerais sobre o Encontro: http://t.co/e7TR8UI (Viram que fiz o merchan do #TeiaLivre? Isso se chama auto-referência). E "last, but not least", o @ que falou -brilhantemente, só pra variar- sobre "O novo ciclo da blogosfera", ----> .

Sobre o texto do @ , concordo e lamento que, infelizmente, alguns companheiros nossos pensam que são @. Ou seja, que eles são "as referências da blogosfera, tem não sei quantos tantões de seguidores e que são os fodões". Não entendem que o "espírito da coisa" se resume numa palavra: "colaborativo". Eles precisam sim seguir, retuitar e citar os "ilustres desconhecidos" e "anônimos" que fazem a militância virtual ser real. De egos inflados, o inferno deve estar cheio (assim espero, amém!).

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O que teria então eu, a acrescentar? Algumas poucas coisas. Mas como dizia Drummond, "De tudo ficou um pouco: de mim; de ti; de Abelardo". Primeiro, que tive a oportunidade de rever vários amigos e conhecer, pessoalmente, outros, que só me relacionava até então pela internet. Ok, isso também é Encontro. Já valeria a pena. Como dizia o outro poeta, xará desta "Petoa" aqui, "Tudo vale a pena se a alma não é pequena."

Aproveitando a deixa, vou contar meu encontro com uma dessas pessoas, de grande alma, o @. Conheci-o em Tucanópolis, no Encontro de Blogueiros que teve lá abril último. A gente saia do auditório da ALESP para ir fumar e conversar. (Tinha que ser na rua, porque nem debaixo das marquises é permitido fumar em Tucanópolis. Mesmo o Enio sendo cadeirante). Lá, fiquei sabendo que ele teria uma conversa com Lula, o Cara.

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Fui buscar no aeroporto, ele e sua cadeira high-tech, cujo controle de joystick deixava as crianças morrendo de inveja. Depois soube que ele, quando entrevistou o Cara, "convenceu" Lula a participar do 2º Encontro Nacional. Sim, o Enio foi a "fonte" que confirmou em primeira mão a presença do Cara no evento aqui no DF.

Ou seja, sou "amigo do amigo do Cara". Tenho orgulho de ter tomado cachaça com ele e com tantos outros companheiros. Sei que as más línguas já estão me acusando de ter subvertido o Encontro, fornecendo a "marvada", inclusive dentro da sala onde participava da mesa sobre "militância e humor". Né, @?

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Em minha defesa, parafraseando Getúlio Vargas, digo o seguinte: "a cachaça é nossa". Fui buscar direto da fonte (na fazenda de meu primo, ou seja, tá tudo em casa) e ninguém reclamou da qualidade do produto. Muito pelo contrário. Uma amostra dela chegou até a Bahia, presenteada que foi ao @. Falando nisso, comentei com o pessoal, que o único problema do próximo Encontro Nacional ser na Bahia, é que eu não sei se volto de lá. Mas isso, a gente vê depois.

Abraços a todos.








Fonte: TeiaLivreLink

quarta-feira, 22 de junho de 2011

"Tomem o Poder"

No último sábado, José Dirceu participou do 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas em Brasília. Entre muitos assuntos debatidos, liberdade de imprensa, liberdade de expressão e documentos ocultados da época da ditadura não puderam ficar de fora.

Sem hesitar, Dirceu respondeu tudo muito bem humorado, sem fugir de questões polêmicas, como sua opinião sobre os blogueiros, processos recebidos, documentos ocultos, STF entre outros. Como Dirceu falou, a mídia tem uma importância muito grande na opinião das pessoas, mas são os blogueiros. “...é essa mídia alternativa que vai mostrar o outro lado, como aconteceu nas últimas eleições”.

Dirceu tentou se esquivar para dar sua opinião sobre os meios de comunicação no Brasil. “Minha opinião já não importa mais, sou apenas um cidadão civil como qualquer outro”, mas enfatizou ao dizer que “...não se pode tirar a importância da rede Globo como exportadora de conteúdo da cultura brasileira”. E como o próprio José Dirceu falou, nós da rede da Blogosfera, temos uma responsabilidade muito grande. E o que os blogueiros devem fazer na comunicação? “Tomem o poder”, diz Dirceu.

Qual é a importância da web hoje nos meios de comunicação?

Talvez não tenha nada mais importante nos últimos anos do que a internet como um movimento de blogueiros para garantir a manutenção de liberdade de expressão, pois há movimentos claros no sentido contrário. Existe uma briga política também, pois informar é exercer o poder político. E esse poder político está sendo democratizado no Brasil, o que é natural também, não vejo isso como ir contra aos meios de comunicação no Brasil, quanto mais, melhor, isso sem tirar a importancia e o papel dos meios de comunicação.

E qual importância desses meios hoje, mesmo com a internet concorrendo?

Eu nao vou negar a importância da Globo como produtora de conteúdo, como exportadora de conteúdos e da cultura brasileira. O bom é ter mais meios de comunicação, mais meios de informação e a internet possibilitou isso. Fora o papel de uma nova forma de organização que a internet permite nas redes e nos movimentos sociais e políticos. São excelentes, para a juventude principalmente.

E o que falar ao movimento dos blogueiros no Brasil?

Se eu fosse dar uma palavra de ordem, falaria aos blogueiros “tomem o poder, dos partidos,das redes, da sociedade, tomem o poder, pois é o que a juventude tem que fazer, porque nós estamos fazendo isso há 40, 50 ou 60 anos.

Sigilos
José Dirceu comenta que é muito comum países manterem sigilos em assuntos estratégicos, como fronteira, questões nucleares, mesmo pela segurança de sua população. Documentos da Ditadura, na qual ele foi um grande ativista contra o regime, foram mencionados para que sejam mostrados e responsabilizar os culpados dos desaparecimentos, das torturas e mortes no Brasil na época do regime militar.

Não é ruim os países manterem os assuntos em sigilo, como questões nucleares e documentos da ditadura?

Todos os paises têm uma série de assuntos que são tratados como sigilo, questões nucleares, questões de defesa nacional, de fronteira, integridade territorial... Se ficar restrito só a isso, não tem nada a ver com documentos da época da ditadura, nem outros assuntos do governo.

Mas como saber?


Tem uma comissão, e essa comissão tem que apresentar as razões do que ela quer com o documento. Tem que ser transparente, ficar restrito por que? Não pode ser segredo... Mas isso sempre tem risco, todos os governos em todos os estados. Você pode ter segredos nucleares e depois de 20 anos descobrir que os residuos nucleares não eram bem tratados e isso torna-se segredo de estado. O ideal seria que nós não tivessemos nenhuma restrição, mas a vida é dura né, nao é bem assim.

Mas e a sua opinião, pessoal mesmo...

A minha opinião não tem importância(risos). Não sou mais do governo, sou um cidadão. Antes de mais nada, eu sou a favor de nenhuma restrição sobre a informação, até porque eu fui vítima da ditadura e até hoje nós não temos acesso aos documentos e arquivos, não que eles existam, porque há dúvidas sobre se eles existem, mas isso tem que ser reconstituido e quem destruiu tem que ser punido. Esse processo não começa nunca no Brasil, nem em outros países. Isso não tem nada a ver com anistia.

O Governo recentemente enterrou a possibilidade de rever os documentos...

O Supremo Tribunal Federal, não o governo. E quando o STF deu o padecer, o Supremo não havia tomado uma posição sobre, ela defendeu uma posição que existe, e esses crimes não prescrevem portanto estão na lei da anistia. São crimes de tortura, assassinatos políticos, ocultação de cadaver, uma série de crimes que foram cometidos, mas não foi entendimento do Supremo. A AGU(Advocacia Geral da União) não pode defender uma tese(contrária) dada há dois meses pelo supremo.

Lei da anistia?

Eu vou continuar defendendo a posição que mais cedo ou mais tarde a liga internacional será declarado que o Brasil está fora da lei, porque não se pode dizer que crimes que foram cometidos na ditadura militar não sejam alvo de investigações. Qual pais, principalmente na America do Sul, não tem esse segredos? Não estamos pedindo pra processar ninguém, nós como sociedade civil queremos a responsabilidade, reconhecer os autores dos crimes praticados, que eles pelo menos sejam expostos, porque nós temos transparência, tudo o que nós fizemos nós fomos processados. É engraçado, nós fomos processados, exilados, torturados, presos, perdemos empregos, famílias, uns foram assassinados, centenas ainda estão desaparecidos, agora querem reciprocidade, investigar os torturadoes e investigaram nós também. Isso é uma aberração, não estamos pedindo nada demais,queremos a verdade só. Uma comissão da justiça da verdade.

Pois é, e depois dessa entrevista, José Dirceu deixou em aberto um pensamento. Será que iremos abrir a caixa preta da ditadura militar? AGORA VAI...

domingo, 30 de janeiro de 2011

O Poder do #ColetivodaRede e a crise no Egito.

Kátia Figueira de Oliveira Postado por: Kátia Figueira de Oliveira em Geral Print
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Ontem um amigo me pediu para escrever um texto mostrando a força que a Rede tem sobre a vida das pessoas e porque o Egito se tornou o estopim dessa força.

Assim como no Egito, o Brasil enfrenta pela primeira vez um poder de voz que se manteve calada por décadas. A voz da Rebeldia. Ou seria a voz da consciência? Pra mim a voz da Liberdade.


A internet tornou-se a janela ou porta de acesso a todos os tipos de manifestações. Ideológicas, sentimentais, de questionamentos.

Manifestações estas que se tornaram um grande problema para os Governantes.

Até então uma pessoa pensar, questionar não era ameaça, mas quando uma pessoa encontra outra e mais outra com os mesmos questionamentos a coisa muda de figura.


Os questionamentos vão ganhando força , vão se repercutindo e ganhando mais expressão, e na rede vão ganhando um espaço que muitos ignoravam existir.

Graças as Redes Sociais como Twitter e facebook estas pessoas descobriram o poder da mobilização.


Países como a Tunísia e o Egito possuem uma rede virtual ativa e combatente. A mobilização saiu da internet e ganhou vida nas Ruas. Estes países sofreram repressões políticas. Um governo que ditava regras e impunha o controle em cima da população.

Tanto na Tunísia como no Egito o que se viu foi um processo que está apenas começando. O processo de libertação real através da mobilização virtual.


Assim que viram esta força a primeira reação do Governo foi mandar bloquear todo o acesso da rede dentro do Egito. Mas a Rede não se cala, e sua voz ecoa pelo mundo e movimentos solidários começaram a pressionar internacionalmente o Governo Egipcío que se viu obrigado a recuar momentaneamente.


Quando se poderia imaginar que seríamos capazes de confrontar um Governo apenas através da rede. Mas a rede é poderosa.

Aqui no Brasil estamos enfrentando um processo denominado #ColetivodaRede. Ele surgiu fortalecido depois da ultima eleição. Militantes também tiveram que combater a oposição que articulava virtualmente com mentiras, boatos e falsas promessas.


Estes militantes viram o despreparo que as coordenações enfrentaram para desarticular no ‘’mundo real’’ estas falsas informações plantadas na Rede.

Se a oposição usava a rede para plantar, nós do #ColetivodaRede a fizemos colher. Colher do seu próprio veneno. E neste embate travado no silêncio dos computadores o que se viu foi a força de um movimento chamado #OndaVermelha.


Assim como na passagem bíblica Moisés abriu o mar vermelho para que seu povo passasse em segurança e se livrasse das ameaças do faraó do Egito, hoje esta passagem foi aberta pela #OndaVermelha.


Seja na Tunísia, no Egito ou no Brasil, o que os Governantes precisam entender é que esta Rede não tem limites para se expressar, e que esta Onda se não for entendida pode se tornar um Tsunami, com poderes devastadores.


Texto: Kátia Figueira - @katytasv