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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Marcos Coimbra sobre Pimentel: pouca informação, muita especulação, reportagem preguiçosa e descaso com os limites éticos do jornalismo.

Marcos Coimbra

- As denúncias contra Pimentel Aqueles que imaginam que Pimentel traficasse influência não o conhecem e não sabem o que estava acontecendo

Na campanha que uma parte da mídia faz contra o ministro Fernando Pimentel, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, temos de tudo: pouca informação, muita especulação, reportagem preguiçosa e descaso com os limites éticos do jornalismo. E o velho argumento de que os fins justificam os meios.

Esses veículos se voltaram contra Pimentel no dia seguinte ao da saída do ex-ministro do Trabalho. Pode ter sido coincidência, mas é pouco provável. O que parece é que queriam manter a "crise ministerial" na primeira página.

Uma das maneiras de consegui-lo é misturar gregos e troianos, alhos e bugalhos. Deliberadamente, o "caso Pimentel" foi confundido com outros, diferentes em aspectos fundamentais. Ele virou "mais um" ministro do governo Dilma "envolvido em irregularidades".

O mais extraordinário, em seu caso, é que ninguém lhe faz qualquer denúncia concreta. Não há sequer suspeita de que tenha agido de forma errada como ministro ou permitido que alguém fizesse algo condenável no seu ministério.

Não se beneficiou do cargo para obter vantagens. Não canalizou recursos públicos para finalidades ilegais ou criticáveis. Não roubou, nem deixou roubar.

Sua "irregularidade" teria sido criar uma empresa de consultoria econômica quando deixou a Prefeitura de Belo Horizonte, e que funcionou entre 2009 e outubro de 2010. Uma empresa igual a milhares de outras, com faturamento apenas médio.

Para mantê-lo em xeque, o acusam de ter feito, por meio dela, "tráfico de influência", sem conseguir aduzir qualquer evidência, minimamente palpável, para corroborá-lo. Passaram a questioná-lo no tom inquisitorial reservado, nas delegacias de polícia, a quem é flagrado em delito: "Tudo que você disser será usado contra você".

Quem imagina que Pimentel saiu da prefeitura, no final de 2008, cheio de "poder presente" e forte de expectativa de "poder futuro" desconhece a política mineira. Tem, além disso, péssima memória.

Para ele, 2009 começou mal e só melhorou no final. Nas condições em que aconteceu, a vitória de Marcio Lacerda foi muito menor do que esperava. Seu grupo perdeu espaço e ficou mais fraco dentro do PT. Ganhou a eleição para o diretório estadual em processo complicado e por margem estreita.

Em abril, Dilma recebeu o diagnóstico de câncer. Embora não parecesse grave, as chances de que fosse presidente – algo em que poucos, então, apostavam – ficaram ainda mais incertas.

Quem contratou a consultoria de Pimentel, nesse período, podia querer várias coisas, mas não estava investindo em um "facilitador" em posição privilegiada. Aqueles que imaginam que "traficasse influência" não o conhecem e não sabem o que estava acontecendo.

Supor que uma instituição como a Fiemg – a principal cliente da empresa de Pimentel, que, sozinha, representou cerca de 50% de suas receitas – o tivesse procurado para isso não tem ideia do que ela é. Ignora sua capacidade de encaminhar os pleitos da indústria mineira sem ter de recorrer a métodos desse tipo.

(A Fiesp tem, em seus quadros, diversos ex-ministros e autoridades do governo Fernando Henrique. Estaria investindo em "facilitadores futuros"? Ou apenas entende que são pessoas de grande contribuição e que é seu papel mantê-las na ativa?)

Inventar que a empresa de Pimentel foi contratada por uma firma de Pernambuco por "manobra" do governador Eduardo Campos, "em retribuição" a seu apoio a um candidato do PSB na eleição de Belo Horizonte, é apenas um exemplo das especulações que andamos ouvindo nos últimos dias. Pareceriam cômicas, se o episódio não fosse lamentável.

Confundir-se com datas (achando, no caso de outro cliente de Pimentel, que um recebimento que aconteceu depois explica um pagamento feito antes), calcular os preços de obras com aritmética de escola primária (sem levar em conta custos de infraestrutura), ignorar os mecanismos de licitação de uma prefeitura como a de Belo Horizonte, não apurar quem representava determinada empresa na época relevante são sinais da pressa na reportagem. Ou do desmazelo.

Para não falar no uso de informações obtidas ilegalmente. Toda a "denúncia" está assentada na mais condenável espionagem de uma empresa privada.

É possível concordar que existem situações especiais que autorizam a imprensa a ir além da "legalidade formal". Esse, no entanto, não é o caso, quando determinados veículos apenas não gostam de um governo e seus integrantes.

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

A tendência é Pimentel ficar


Artigo Publicado no Diário do Comércio

Há uma intensa campanha agora contra o ministro Fernando Pimentel. Digo contra por entender que ela é, claramente, uma tentativa de, se não derrubar, pelo menos desgastar Pimentel perante a opinião pública. Desde a minha infância aprendi que fantasmas os vê quem quer. Quem acusa tem lá seus argumentos que, à primeira vista, parecem consistentes. Não de prática de crime, por que isso, por maior que seja a vontade de se enxergar um fantasma, não há como sequer imaginá-lo. Se não houve crime houve, no mínimo, escorregão ético, dirão os de má vontade.

Não faço juízo de valores, não absolvo nem condeno a priori. Mas nunca vi ninguém acusar ministros, desembargadores e juízes serem acusados por, ao se aposentarem, se transformarem em consultores, dando pareceres em assuntos que são controversos na Justiça e que, normalmente, envolvem muito dinheiro. Até por que ninguém vai contratar um parecer para uma demanda de menor valor. No Brasil consultoria virou uma atividade satanizada. Serve para tudo, inclusive para nada. Pode até servir para encobrir falcatruas. Pode sim, mas é preciso ver que é uma atividade profissional lícita e, na maioria das vezes, fundamental para uma empresa. Daí custar caro. Neste caso envolvendo o ministro Fernando Pimentel, de quem, ressalvo, me considero amigo, parece-me haver exagero.

A amizade não me provoca miopia crítica, esclareço. O que considero exagero, uma certa forçada de barra, são as ilações. Pimentel teria mascarada em consultoria uma ação de lobby para que uma empresa amiga vencesse uma concorrência na prefeitura. Acho difícil que este tenha sido o motivo, se é que houve algum. Uma concorrência no valor de R$ 93 milhões, como indicado, não se vence assim. Há adversários do outro lado, também muito interessados na obra. E mais, com acesso irrestrito a toda a documentação de todos os participantes do certame, como manda a lei.

Irregularidades em concorrência, antes de serem detectadas por qualquer órgão de fiscalização, são descobertas pelo concorrente. A não ser, claro, que tudo não passe de uma grande ação entre amigos, com tudo combinado com todo mundo. Aí sim, é possível. Outra questão. Concorrência, muitas vezes, ficam pendentes por causa de decisões judiciais e obras são executadas por liminares que obrigam os órgãos públicos a assinarem os contratos com as vencedoras. Nesta área, não se iludam, não tem bobo. Tudo é feito com o respaldo da lei. Se há erros, tenham certeza, é pela dubiedade da lei, que permite diferentes interpretações.

Quanto a falada negociata com uma prestadora de serviço médico, que obteve perdão fiscal de parte considerável de sua dívida, é negócio que está sendo discutido na Justiça e envolve, ao que parece, formas diferentes de se interpretar um mesmo texto legal. Em que vai resultar esta guerra de informações. Pessoalmente acredito que Pimentel permanecerá no cargo. Menos pela amizade com a presidente, mais pela inconsistência das denúncias que, embora possa envolver questão ética, não tem respaldo legal. E pela sua competência.


* Jornalista e diretor-geral do Grupo Comunicação
PAULO CESAR DE OLIVEIRA * .

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Fernando Pimentel: "Se ter amigos empresários for crime, sou criminoso"

O ministro do Desenvolvimento afirma que não fez nada ilegal ao faturar R$ 2 milhões fora do governo

LEANDRO LOYOLA E MARCELO ROCHA

SOB PRESSÃO O ministro Fernando Pimentel em Brasília, na semana passada (Foto: Igo Estrela/ÉPOCA)

Na ampla sala de reuniões ao lado de seu gabinete, o ministro do desenvolvimento, Indústria e Comércio, Fernando Pimentel, tira da mala preta dois envelopes e uma pasta transparente com notas fiscais e contratos. Ao pegar os papéis, suas mãos tremem um pouco. Pimentel fala mais rápido que o normal. Ele está nervoso porque, na semana passada, foi divulgado que sua empresa, a P-21, recebeu R$ 2 milhões ao prestar serviços de consultoria a três empresas privadas e a uma federação de empresários, entre 2009 e 2010. Dois de seus clientes receberam recursos da prefeitura. Um deles em sua gestão, que terminou em 2008. O outro foi na atual administração, de Márcio Lacerda (PSB), que Pimentel ajudou a eleger. Num governo abalado neste ano pela queda de sete ministros – um deles, Antonio Palocci, por ganhos milionários com consultoria –, Pimentel está desconfortável na situação de ter de explicar como ganhou dinheiro fora da vida pública. Mais delicado: ele é o ministro mais próximo da presidente Dilma Rousseff, de quem é amigo há mais de 30 anos. Nesta entrevista, Pimentel afirma que seu desempenho como consultor não está relacionado a sua gestão como prefeito, mas às amizades.

O caso do ministro Palocci é o dele. eu vou julgar o Palocci? deixa o Palocci resolver os problemas dele

ÉPOCA – Quais consultorias o senhor prestou?
Fernando Pimentel –
Prestei quatro consultorias. Estou com todas as notas fiscais aqui. Um contrato maior com a Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg) para prestar serviços ao Ciemg (Centro das Indústrias do Estado de Minas Gerais). Trabalhei orientando, assessorando e dando as diretrizes dos programas que a Ciemg – e a Fiemg – elaborou. Alguns viraram programas, como o Minas com Sustentabilidade. Fazia reuniões para discutir a conjuntura, fazer análise econômica.

ÉPOCA – O senhor produziu relatórios para a Fiemg?
Pimentel –
A Fiemg produziu material. Outro cliente foi a Vitória Engenharia, do Grupo Convap, de Belo Horizonte. O presidente da Convap, Flávio Vieira, é um homem de 85 anos, foi amigo de meu pai. Ele me pediu que o ajudasse a reposicionar a empresa no mercado. A construção pesada começou a aquecer no Brasil, com o PAC. Eu o ajudei a fazer um plano de negócios. Nada a ver com influenciar resultado de licitação no setor público.

ÉPOCA – O senhor deu indicações onde a empresa poderia atuar no setor público?
Pimentel –
Do setor público, não. Sugeri que ela se associasse a empresas que conheço em Minas Gerais. A imprensa tem falado sobre minha relação com um empresário, o Roberto Senna, presidente da construtora HAP. Mas poderia falar a mesma coisa da Egesa (construtora), onde sou amigo do Elmo (Teodoro Ribeiro), da Fidens (construtora), onde sou amigo do Fernando Frauches, da (construtora) Barbosa Mello, onde sou amigo do Guilherme (Moreira Teixeira). Todos esses eu encaminhei para parcerias da Convap. Para isso, cobrei dele R$ 514 mil. Não tem contrato. Se eu pedir ao doutor Flávio para fazer um contrato comigo, ele vai ficar ofendidíssimo. O contrato é nota fiscal. Você tem de prestar o serviço, emitir nota e pagar tributo. Foi o que fiz.

ÉPOCA – E a terceira cliente?
Pimentel –
A terceira é a QA Consulting, uma empresa de informática. Os sócios são filhos de meu sócio na P-21, Otílio Prado. Eles me pediram ajuda num plano de negócios. Disseram que têm um contrato antigo, prestaram serviço não sei onde. Não tive nenhuma influência nisso. Sugeri que fizessem um serviço de cabeamento para a HAP, que custou R$ 230 mil, R$ 240 mil. Pela consultoria que fiz para eles (QA), cobrei R$ 400 mil em dois anos. Se o Roberto Senna (da HAP) quisesse repassar recursos, ele contratava minha empresa. Tudo vira uma suspeição.

ÉPOCA – E a quarta?
Pimentel –
A ETA, indústria de bebidas de Paulista (Pernambuco). Cobrei R$ 130 mil em duas parcelas para um diagnóstico de mercado. Ocorre que essa empresa foi vendida. Os que compraram nem sabem desse trabalho. Está aqui tudo documentado, a nota fiscal para a empresa. Eu tenho outro, que pode aparecer. É a Newcom: R$ 5 mil. Foi uma palestra sobre conjuntura econômica. Montei a P-21 para trabalhar honestamente e sobreviver. Faturei R$ 2 milhões brutos. Foi R$ 1,259 milhão em um ano e R$ 670 mil no outro. Se você tirar os tributos, os custos com escritório, secretária, sobra R$ 1,3 milhão, no máximo. Supondo que retirei tudo na forma de dividendo, o que não é verdade, porque deixei um pouco na empresa, eu teria ganho R$ 1,2 milhão em 24 meses – ou seja, R$ 50 mil por mês. É um salário de executivo médio.

ÉPOCA – O senhor ia pessoalmente aos clientes?
Pimentel –
É lógico. São todos meus amigos. Há uma forçação de barra para transformar tudo em coisa suspeita. Aí descobriram que o empresário Roberto Senna (da HAP) responde a um processo junto com o prefeito. Ele responde a um processo comigo e mais 50 pessoas. É um processo de fatos ocorridos em 2001. Estou dizendo, alto e bom som: sou amigo da maioria dos empresários de Belo Horizonte – e talvez de Minas Gerais. Se isso for crime, sou um criminoso! Se não puder – quando não tenho cargo público – trabalhar usando a experiência que tenho, o que eu vou fazer?

ÉPOCA – Como o senhor aliou a consultoria a sua candidatura ao Senado e à colaboração na campanha da presidente Dilma?
Pimentel –
Vamos ver quando foi a última nota fiscal que tirei (procura numa pequena pilha de cópias das notas). Foi no mês 8 de 2010, quando a campanha pegou fogo. É essa da Convap. Eu me afastei da empresa assim que soube que seria ministro, está aqui (pega a alteração do contrato social). Em dezembro de 2010, a administração passou para o Otílio Prado (assessor na prefeitura de Belo Horizonte, ele deixou o cargo na semana passada em meio às acusações). Resumo da ópera: de irregular não tem absolutamente nada.

ÉPOCA – O senhor pode entregar provas de seus trabalhos?
Pimentel –
Eles (os clientes) podem, se quiserem. O relatório é deles. Agora, já vou te antecipar: no caso da Fiemg, eles vão ter material para mostrar. Nos outros três, eles têm material interno. Nessa do Nordeste (a ETA), até fiz uma coisa por escrito. Na Convap, eu conversava com o doutor Flávio, ia lá ao escritório dele, ele ia ao meu, nós íamos juntos visitar uma empresa. No caso dos meninos da QA, a mesma coisa.

ÉPOCA – Que empresas o senhor visitou com o Flávio?
Pimentel –
Várias dessas que mencionei. Precisamos esclarecer: no Brasil, quando o cidadão não tem cargo público, ele pode trabalhar? Estou respondendo isso tudo aqui para vocês porque não tenho nada a esconder. Nada! Tudo o que fiz está dentro da lei. Eu podia virar para vocês e falar: “Não dou a menor satisfação”. Estou falando porque hoje sou ministro. Quero deixar bem claro que não tem problema nenhum.

ÉPOCA – Qual é a diferença entre seu caso e o do ex-ministro Antonio Palocci?
Pimentel –
O caso do ministro Palocci é o dele... Imagina! Eu vou julgar o Palocci? O Palocci tem os problemas dele. Deixa ele resolver os problemas dele. Estou falando de outra coisa, que pode se aplicar a mim, ao Palocci, a quem for. A lei é parâmetro? Se for, já perdemos 40 minutos de nosso precioso tempo, porque está tudo dentro da lei.

ÉPOCA – Como consultor, o senhor esteve em órgãos públicos?
Pimentel –
Não, que eu me lembre, não. Nunca acompanhei ninguém em lugar nenhum.

ÉPOCA – O senhor diz que ganhou R$ 50 mil mensais na consultoria. Era mais do que o senhor estava acostumado a receber?
Pimentel –
Era mais, uai. Eu era feliz e não sabia (risos). Como prefeito, eu ganhava uns R$ 18 mil líquidos.

ÉPOCA – O escritório da P-21 está ativo?
Pimentel –
A secretária está lá porque ainda tenho contas que chegam, para pagar e tal. Com essa confusão toda, vou até desativar.

Fonte: Revista Época

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Ministro da Justiça diz ter total confiança em Fernando Pimentel

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, disse nesta quarta-feira (7) ter total confiança no ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, alvo de reportagem do jornal “O Globo”, que o coloca como suspeito de receber R$ 2 milhões como pagamento de serviços de consultoria para empresas entre 2009 e 2010.

O dinheiro, segundo o jornal, foi recebido depois que ele deixou a prefeitura de Belo Horizonte e

antes de Pimentel assumir o cargo de ministro.

Na avaliação de Cardozo, não há irregularidade na prestação do serviço, pois, segundo ele, esse é um fato que corresponde à vida particular de Pimentel.

"Li a notícia no jornal. Eu, pessoalmente, tenho uma confiança muito grande no ministro Pimentel. Esses fatos não dizem respeito a sua atuação na vida pública e, sim, à esfera privada. Portanto, a minha confiança no ministro Pimentel é total, integral como sempre foi", disse Cardozo, depois da cerimônia de lançamento de ações governamentais para combate ao crack, no Palácio do Planalto.

Entenda o caso

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

Globo reconhece integridade de Pimentel

Ricos no governo

Para não dizerem que a gente só fala mal do governo: a presidente Dilma reagiu corretamente à notícia de que o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, embolsara R$2 milhões em serviços de consultoria nos dois anos anteriores à posse no ministério.

Ela mandou que o ministro fosse para Brasília ainda no fim de semana - o que costuma ser castigo cruel para o pessoal do primeiro escalão - para explicar a origem desse dinheirão.

"Você não tem nada a esconder", disse ela a ele. Pois, imaginem só: pelo visto e provado, estava certa. Pimentel mostrou ao GLOBO cópias de seus contratos com a Federação das Indústrias de Minas Gerais e com uma firma particular. E provou que, descontando impostos e os custos de sua empresa, ganhara mesmo R$1,2 milhão. Ficou bem claro que Pimentel não é nenhum Palocci. Se há desmemoriados na plateia, lembremos que Antonio Palocci chefiou a Casa Civil de Dilma até que a imprensa botou a boca no trombone a propósito da veloz multiplicação de seu patrimônio pessoal. Pois vamos guardar na memória também que não há só Paloccis nos gabinetes de Brasília. Em qualquer governo.

O jornal e a opinião pública têm direito ao álibi de que, em tempos paloccianos, a gente tende mesmo a mais desconfiar do que confiar na lisura do comportamento da turma do primeiro escalão. E do segundo e do terceiro também.

Mas é preciso reconhecer que se trata de álibi frágil e injusto: a existência de um Palocci - de cuja desonestidade, também é preciso lembrar, ninguém no Palácio do Planalto parecia desconfiar - não autoriza a mídia e a opinião pública a acreditarem que o primeiro escalão do governo, o atual ou qualquer outro, está infestado por Paloccis.

A reação da presidente e de seu ministro foi correta: uma simples explicação costuma valer bem mais do que uma tonelada de indignação. Note-se que a informação publicada não era errada - mas é preciso reconhecer que o tom era de denúncia. Afinal de contas, quando a gente publica com destaque que alguém ganhou um dinheirão, e não foi apostando na sena, a sugestão implícita é a de que alguma coisa está cheirando mal.

Pois, no caso de Pimentel, não estava. Ficou a lição de que existem cidadãos endinheirados na vida pública - e que se endinheiraram antes de entrar nela.


Fonte: Jornal o Globo - Opinião / Luiz Garcia


Fonte: Amigos do Pimentel

domingo, 28 de agosto de 2011

VEJA passou recibo do crime

Por Len, blog Contraponto:

Antes de publicar a edição dessa semana, a revista VEJA já tinha se complicado com a denúncia de José Dirceu. Foi aberto boletim de ocorrência no 5º distrito policial de Brasília, que conta com o depoimento da camareira e do chefe de segurança do hotel. Na edição dessa semana, por burrice ou amadorismo, a revista produz prova robusta contra si mesma.

Com a denúncia de tentativa de invasão e falsidade ideológica pesava contra a revista apenas o fato do jornalista estar a seu serviço, o que poderia ser justificado com a alegação que o seu contratado agiu por conta própria, sem o aval da direção, mas ao usar as imagens obtidas pelo repórter, a VEJA assume cumplicidade e beneficiamento com os crimes conhecidos.

Na reportagem que fez com acusações contra José Dirceu, a VEJA afirma que “obteve” imagens de circulação do hotel, dando a entender que se tratava de imagens da câmera de segurança, só não admitiu que obteve imagens ilegalmente através de equipamento instalado pelo seu jornalista.

Vamos aos fatos: quando me deparei com as imagens, vi na hora que não se tratava de imagem de câmera de segurança interna, pois estas não apresentam data e horário, tem resolução baixa para câmeras normalmente usadas para esse fim e o posicionamento e foco que não privilegiam a tomada de todo o corredor, mas apenas de quem passava por ela.

A câmera que foi usada pelo repórter da Veja provavelmente é uma mini-câmera espiã wi-fi ( imagem abaixo) que pode ser instalada facilmente pois não precisa de fios ligando ao monitor que recebe as imagens. Ela tem uma fonte que pode ser facilmente instalada na fiação de um suporte de luz por algum funcionário da manutenção do hotel, regiamente pago para a função.

A câmera infravermelho acima ( à esquerda), por ter tamanho reduzido, é específica para espionagem e não possui leds IV, e diferente de câmeras usadas em segurança ( acima à direita) que tem uma quantidade desses leds para fornecer a iluminação que vai ser usada para captar as imagens, ela não “enxerga” no escuro como as câmeras comuns e precisam de alguma luz branca para captação de imagens.

Analisando as imagens da VEJA, percebe-se com facilidade se tratar de uma mini-câmera para espionagem. Câmeras de segurança, por ter fonte de luz IV própria, não são instaladas próximas à anteparos de iluminação, pois o reflexo da luz branca atrapalha. As imagens divulgadas pela VEJA identificam que a câmera usada para captá-las estava instalada junto ao anteparo de luz. Eles usam normalmente esse artifício para ocultar o equipamento, ter uma fonte de luz e energia para ligar a câmera. Perceba na imagem abaixo, os reflexos nas cabeças de José Dirceu e Fernando Pimentel que estão mais próximos a câmera, demonstrando que foi ocultada em um anteparo de luz.

As provas que a VEJA produziu contra si mesma agravaram a sua situação, agora além de tentativa de invasão de domicílio e falsidade ideológica, existe a confissão de invasão de privacidade, não só de José Dirceu e os políticos mostrados, mas de todos os hóspedes desse andar e dos funcionários do hotel.

Apesar da vergonhosa operação abafa ( Omertá tupiniquim) movida pelos principais veículos de comunicação, que demonstra um corporativismo criminoso ( se não for rabo preso por culpa no cartório), ainda restam aos atingidos, como o PT, acionar a Polícia Federal e o Procurador Geral da República por se tratar de um crime ainda mais grave quando atinge ministros de estado e põe em risco o estado democrático de direito.

Não sei quanto a vocês amigos, mas esse que vos escreve já está cheio desses abusos, é hora de dar um basta. A minha esperança se renova quando presencio manifestação do deputado Paulo Pimenta no twitter, que apesar de não ser do grupo do ex-ministro José Dirceu, exigiu do presidente José Eduardo Dutra, que o partido tome providências drásticas. Nem tudo está perdido, o deputado mostra que ainda restou algo da velha combatividade do PT.


quarta-feira, 3 de agosto de 2011

Artigo do Ministro @pimentelminas

O atual contexto histórico impõe a urgência das medidas que serão adotadas

Fernando Pimentel*

Ontem, a presidente Dilma Rousseff lançou o Plano Brasil Maior, a nova política industrial, tecnológica e de comércio exterior do governo federal. Mais do que um slogan de lançamento, inovar para competir, competir para crescer, este é um desafio colossal. As experiências bem-sucedidas de nações que alcançaram um estágio superior de desenvolvimento evidenciam dois importantes ensinamentos, que o Brasil deve ter atenção.

O primeiro é que a história de cada país é formada pelas próprias mãos de seu povo. Não existe, portanto, um modelo de desenvolvimento ideal a ser seguido, como propõe o liberalismo econômico e suas variadas matizes contemporâneas, nas quais se supõe que o caminho do desenvolvimento se dá por um conjunto normativo de conduta racional dos agentes econômicos objetivando o bom funcionamento do mercado e a superação de suas falhas. A crença cega no sistema de preços como mecanismo de autorregulação do mercado tem sido o pomo da discórdia das teorias econômicas, desde o século XIX. Como amplamente evidenciado na historiografia de formação dos mercados nas nações ainda hoje hegemônicas (vide Marx, Polanyi e Braudel), a introdução da moeda, a criação do sistema de preços e o desenvolvimento da economia monetária são construções sociais, surgidas de conflitos antagônicos em geral superados pelo uso da violência e outras formas não canônicas de conduta dos agentes econômicos.

Nesse sentido, o mercado foi construído pela capacidade dos Estados Nacionais instituírem a ordem econômica, começando pela imposição do curso legal da moeda. Ao contrário do imaginário corrente, as trajetórias bem sucedidas de industrialização não foram o resultado natural do funcionamento da mão invisível e sim produto dos esforços dos povos na construção de modernos estados nacionais, com poder de comando sobre o território.

O esforço da inovação será alavanca decisiva na estratégia do salto da nossa indústria rumo ao futuro

O segundo importante ensinamento da história contemporânea das nações é o papel central do conhecimento científico e tecnológico. O que já se sabia sobre o poder social e econômico do conhecimento nas antigas civilizações (orientais e ocidentais) foi imensamente amplificado com o surgimento da indústria fabril como motor da produção material. A entrada no novo milênio significou o terceiro século da civilização sob o domínio do sistema fabril de produção. As quatro revoluções tecnológicas que se sucederam trouxeram em escala crescente o conhecimento para o comando operacional do sistema fabril. Os chamados sistemas embarcados são a expressão maior desse processo, no qual o computador é completamente encapsulado ou dedicado ao dispositivo ou sistema que ele controla. Pela engenharia mecatrônica pode-se otimizar o projeto reduzindo tamanho, recursos computacionais e custo do produto. A próxima revolução será a difusão da impressora em três dimensões diretamente no processo de produção, trazendo a possibilidade de ganhos de produtividade pela produção flexível, o que mudará definitivamente os parâmetros de retornos crescentes pela lei secular da escala e escopo.

Essas inovações radicais no sistema fabril poderão, paradoxalmente, ser aceleradas pela profundidade e extensão da atual crise econômica mundial. A busca de um novo ciclo de ganhos sustentáveis de produtividade, agora sob a pressão ambiental, pode mais uma vez ser o caminho de inflexão da crise e de retomada da expansão econômica. Como em outras crises sistêmicas da economia monetária mundial, a destruição criadora revigora uns e aniquila outros. Na última crise dessa natureza, a grande depressão de 1929, o Brasil saiu melhor do que entrou. Como nos ensinou Celso Furtado em sua Formação Econômica do Brasil, a ação deliberada do Estado foi então decisiva para que o país conseguisse se integrar ao ciclo de industrialização e expansão econômica mundial que se seguiu.

O atual contexto histórico impõe a urgência das medidas que serão adotadas. O grande desafio do Brasil é se preparar para um novo salto da produtividade do trabalho via inovação tecnológica, de tal forma a mudar nossa posição competitiva num mundo em profunda transformação. De um lado, as economias capitalistas mais avançadas mergulhadas na crise, e de outro um grupo de países emergentes, liderados pelo extraordinário crescimento chinês.

O Plano Brasil Maior é uma resposta contemporânea de política de desenvolvimento produtivo a este grande desafio do salto de produtividade. Com um parque manufatureiro e uma rede de serviços avançados, e um sistema de ciência e tecnologia com escala e densidade significativas, a arma principal do país contra o acirramento da competição e apreciação cambial de nossa moeda é explorar as forças conquistadas no período recente, a estabilidade e a retomada do investimento e do crescimento. Mercado grande e em expansão, poder de compras públicas, extensa fronteira de recursos energéticos, força de trabalho jovem e capacidade empresarial constituem ativos institucionais, físicos e sociais formidáveis. Para colocar tais forças em movimento na velocidade exigida, o esforço da inovação será alavanca decisiva na estratégia do salto da nossa indústria, rumo ao futuro.

*Fernando Pimentel é ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior

Publicado no jornal Valor Econômico em 03 de agosto de 2011

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Entrevista coletiva da presidenta Dilma Rousseff após lançamento do Bras...



Logo após o lançamento do Plano Brasil Maior, nesta terça-feira (2/8), no Palácio do Planalto, a presidenta Dilma Rousseff concedeu uma rápida entrevista aos jornalistas. Entre outros temas, ela falou sobre a estratégia brasileira para o enfrentamento à crise econômica internacional e sobre a importância do Brasil Maior. Leia os trechos da entrevista:


Jornalista: De que maneira o Brasil pode enfrentar essa crise [financeira mundial]?

Presidenta Dilma Rousseff: Com essas medidas [contidas no Plano Brasil Maior] e com todas as outras que nós vamos tomar daqui para frente. Nós não temos a pretensão de ter, com essa medida, resolvido os problemas. Essas medidas são o nosso primeiro passo em direção a aumentar a competitividade do Brasil, a partir da inovação, da exigência de agregação de valor e do combate a práticas fraudulentas reais no que se refere à concorrência.


Jornalista: o Supersimples vai sair essa semana?

Presidenta Dilma Rousseff: Não, na outra semana. Na próxima terça-feira, a gente lança o Supersimples [alterações no regime especial de arrecadação de tributos junto a microempresas e empresas de pequeno porte].


Jornalista: E a desoneração da folha, já tem previsão de quando começa?

Presidenta Dilma Rousseff: Não, nós iremos fazer como está lá na proposta. Nós vamos fazer um acompanhamento. Vamos criar uma comissão tripartite — empresários, trabalhadores e o governo – e acompanhar as medidas para nos assegurar, sempre, que não terá efeitos sobre a previdência. Então, isso requer que a gente tenha bom senso e cautela na adoção [das medidas].


Jornalista: A população brasileira está muito preocupada em relação a casos de corrupção.

Presidenta Dilma Rousseff: Nós combateremos sistematicamente. O governo não irá abraçar nenhum caso de corrupção. Mas o governo também não irá se pautar por medidas midiáticas no combate à corrupção. Nós combateremos efetivamente.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Lula emplaca José Graziano na Direção-geral da FAO

Luiz Graziano foi ministro durante o governo Lula e estruturou o Bolsa Família
Apoiado por uma ferrenha campanha do ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, o agrônomo brasileiro José Graziano, de 61 anos, foi eleito neste domingo para a Direção-geral da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e Alimentação (FAO). Ex-ministro de Segurança Alimentar do governo Lula, Graziano ocupará o cargo no período de janeiro de 2012 a julho de 2015. Desde 2006, ele atuava como representante da agência na América Latina e no Caribe.
A eleição ocorreu hoje durante a 37ª Conferência da FAO, evento que começou ontem (26), em Roma. Com o apoio do governo brasileiro, Graziano recebeu 92 dos 180 votos. O segundo colocado foi o ex-ministro de Relações Exteriores espanhol Miguel Ángel Moratinos. Inicialmente também concorriam ao posto o austríaco Franz Fischler, o indonésio Indroyono Soesilo, o iraniano Mohammad Saeid Noori Naeini e o iraquiano Abdul Latif Rashid.
Indicado para o cargo pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no ano passado, Graziano vai substituir o senegalês Jacques Diouf, que permaneceu por 17 a anos à frente da agência. Ele deixará a direção do órgão em um momento em que a alta nos preços de alimentos tornou-se uma preocupação global, discutida nos principais foros internacionais.
Criada em 16 de outubro de 1945, a FAO concentra os esforços dos 191 países membros, mais a Comunidade Europeia, pela erradicação da fome e da insegurança alimentar. Na agência, que funciona como um fórum neutro, os países desenvolvidos e em desenvolvimento se reúnem para para negociar acordos, debater políticas e impulsionar iniciativas estratégicas.
O orçamento enxuto da agência, se comparado ao de outras instâncias da ONU, é considerado um dos entraves à atuação mais abrangente do órgão. Para o biênio 2010/2011, a FAO conta com orçamento de US$ 1 bilhão (R$ 1,6 bilhão) , com mais US$ 1,2 (R$ 1,9 bilhão) advindos de doações voluntárias. Outro problema com o qual Graziano deverá lidar são as divergências entre os países quanto à produção de biocombustíveis (apontados por algumas nações como os principais causadores da inflação nos alimentos).

quinta-feira, 23 de junho de 2011

"Confesso que vivi e bebi no 2º Encontro"

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No último fim de semana, realizou-se aqui em Brasília, o 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Até aí, morreu Neves. Ou pelo menos, um caiu do cavalo, no dia em que iniciavamos o tal Encontro. Ok, vocês já sabem disso. Mais de 400 inscritos, 30 mil pessoas acompanhando on-line as transmissões do Evento. Lula, o Cara, participou da Abertura. Agnello Queiroz, Governador do DF, fez as honras da casa. Ministro Paulo Bernardo, simpático e educado, foi trollado ao vivo pelo @. Zé Dirceu apareceu no sábado. Emir Sader, prof. Venício Lima também (coitado, o povo insiste em chamá-lo de Vinícius), etc, etc.

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Vários artigos e textos foram publicados a respeito, repercutindo a sua importância. Alguns destacando o pânico que o PIG deve ter ficado com o crescimento do movimento da blogosfera em seus calcanhares. Outros analisando a importância histórica do Encontro. Outros dizendo até que o seu autor propôs alteração no "Ponto G" da carta final, seja lá o que isso signifique ou implique. Né, @?.

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Sem querer cometer injustiças, e já cometendo, vou citar apenas alguns. O sempre combativo deputado @ postou: "Blogueiros progressistas lançam carta após II Encontro Nacional ". O já citado @ escreveu que a "Imprensa se assustou com o Encontro de blogueiros | Blog da Cidadania ". No #TeiaLivre tem o artigo do meu brother, @, que nos contou de suas impressões gerais sobre o Encontro: http://t.co/e7TR8UI (Viram que fiz o merchan do #TeiaLivre? Isso se chama auto-referência). E "last, but not least", o @ que falou -brilhantemente, só pra variar- sobre "O novo ciclo da blogosfera", ----> .

Sobre o texto do @ , concordo e lamento que, infelizmente, alguns companheiros nossos pensam que são @. Ou seja, que eles são "as referências da blogosfera, tem não sei quantos tantões de seguidores e que são os fodões". Não entendem que o "espírito da coisa" se resume numa palavra: "colaborativo". Eles precisam sim seguir, retuitar e citar os "ilustres desconhecidos" e "anônimos" que fazem a militância virtual ser real. De egos inflados, o inferno deve estar cheio (assim espero, amém!).

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O que teria então eu, a acrescentar? Algumas poucas coisas. Mas como dizia Drummond, "De tudo ficou um pouco: de mim; de ti; de Abelardo". Primeiro, que tive a oportunidade de rever vários amigos e conhecer, pessoalmente, outros, que só me relacionava até então pela internet. Ok, isso também é Encontro. Já valeria a pena. Como dizia o outro poeta, xará desta "Petoa" aqui, "Tudo vale a pena se a alma não é pequena."

Aproveitando a deixa, vou contar meu encontro com uma dessas pessoas, de grande alma, o @. Conheci-o em Tucanópolis, no Encontro de Blogueiros que teve lá abril último. A gente saia do auditório da ALESP para ir fumar e conversar. (Tinha que ser na rua, porque nem debaixo das marquises é permitido fumar em Tucanópolis. Mesmo o Enio sendo cadeirante). Lá, fiquei sabendo que ele teria uma conversa com Lula, o Cara.

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Fui buscar no aeroporto, ele e sua cadeira high-tech, cujo controle de joystick deixava as crianças morrendo de inveja. Depois soube que ele, quando entrevistou o Cara, "convenceu" Lula a participar do 2º Encontro Nacional. Sim, o Enio foi a "fonte" que confirmou em primeira mão a presença do Cara no evento aqui no DF.

Ou seja, sou "amigo do amigo do Cara". Tenho orgulho de ter tomado cachaça com ele e com tantos outros companheiros. Sei que as más línguas já estão me acusando de ter subvertido o Encontro, fornecendo a "marvada", inclusive dentro da sala onde participava da mesa sobre "militância e humor". Né, @?

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Em minha defesa, parafraseando Getúlio Vargas, digo o seguinte: "a cachaça é nossa". Fui buscar direto da fonte (na fazenda de meu primo, ou seja, tá tudo em casa) e ninguém reclamou da qualidade do produto. Muito pelo contrário. Uma amostra dela chegou até a Bahia, presenteada que foi ao @. Falando nisso, comentei com o pessoal, que o único problema do próximo Encontro Nacional ser na Bahia, é que eu não sei se volto de lá. Mas isso, a gente vê depois.

Abraços a todos.








Fonte: TeiaLivreLink

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Comércio exterior: um desafio permanente

Publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 15 de maio de 2011

Fernando Pimentel*

Na semana que passou, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) adotou medidas com relação às importações do chamado “grupo veículos”, com a inclusão desses produtos no regime de licenciamento não automáticos. Ao suspender o caráter instantâneo da importação de automóveis, o objetivo é permitir um monitoramento apurado dessas operações, de modo a acompanhar sua evolução. Desta forma, o ministério lança mão de um instrumento legítimo, previsto nas regras da Organização Mundial de Comércio (OMC), que permitirá uma avaliação mais precisa da dinâmica desse mercado.

De fato, se compararmos dados de janeiro a abril de 2010, com o mesmo período deste ano, observa-se um significativo aumento do déficit na balança de veículos automotivos, cujo saldo negativo passou de US$ 789 milhões para US$1,9 bilhão. Com um dos maiores parques automotivos instalados no mundo, o Brasil produz 3,5 milhões de unidades ao ano e é o quarto mercado consumidor de veículos (dados de 2010). Trata-se de uma indústria estratégica para a economia nacional devido à extensa e densa cadeia produtiva do setor.

Ressalte-se que a inclusão em regime de licenciamento não automático não implica que os produtos importados terão ingresso restrito no Brasil. Na verdade, a prática recente, no caso brasileiro, demonstra que o MDIC tem sido ágil na análise das licenças, com uma média de tempo de liberação inferior ao exigido nos acordos internacionais. Sendo assim, a medida certamente não comprometerá o comércio do Brasil com outros países. Somos um país de economia aberta, dotado de sistemas avançados de tratamento administrativo e aduaneiro, que permitem que produtos de qualquer país do mundo acessem o mercado nacional.

Em relação à abrangência da medida, foram incluídas em licenciamento não automático as importações do “grupo veículos” provenientes de todo o mundo. Não procede, portanto, a interpretação desta medida como uma forma de retaliação do Brasil à Argentina. É inegável que o setor privado brasileiro vem enfrentando uma série de dificuldades para a exportação de produtos ao país vizinho.

Contudo, estes atritos são reflexos naturais de uma relação comercial volumosa e consolidada. Neste contexto, temos insistido em uma solução negociada para problemas que afetam importantes segmentos do setor produtivo, como é o caso, por exemplo, de calçados, alimentos, linha branca, máquinas agrícolas e colheitadeiras, entre outros.

Desde o início, temos deixado evidente o compromisso com o estímulo à competitividade da indústria nacional, com o esforço para diversificar as exportações brasileiras e ampliar mercados, com a defesa das nossas empresas contra práticas desleais e ilegais de comércio. Recentemente anunciamos a adoção preferencial da chamada “margem cheia” em medidas de defesa comercial - com a imposição do valor mais alto no cálculo do direito antidumping – e a inclusão imediata em licenciamento não automático dos produtos sob investigação.

Já nesta semana que se inicia, será aberto, pela primeira vez na história do País, um processo de investigação de triangulação, para apurar se, após aplicação de medida antidumping, houve tentativa de contornar a aplicação da penalidade.

As ações fazem parte dos compromissos assumidos pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e ComércioExterior para a criação de um ambiente de negócios que favoreça a inovação, a competição leal e a produtividade. Como se vê, estamos fazendo todo esforço para defender o espaço conquistado pela indústria nacional. Não se trata em absoluto de um retorno às práticas protecionistas ou mesmo da imposição de barreiras ao comércio. Estamos sim, exercendo o direito legítimo de monitorar o comércio exterior e garantir a justa competição no mercado nacional.

*FERNANDO PIMENTEL É MINISTRO DO DESENVOLVIMENTO, INDÚSTRIA E COMÉRCIO EXTERIOR

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Contra fatos não há argumentos

A última edição da revista Época faz ligação entre o atual ministro do Desenvolvimento Fernando Pimentel e o chamado Mensalão. De acordo com a matéria o tesoureiro da campanha de Pimentel para a prefeitura de Belo Horizonte em 2004, teria recebido R$ 247 mil da empresa de Marcos Valério.

Em nenhum momento Fernando Pimentel é citado por qualquer documento da SMPB ou pelo Marcos Valerio. Aliás, o próprio relatório da Polícia Federal, citado pela reportagem, mostra isso. É preciso destacar que as contas da campanha de Fernando Pimentel para a prefeitura de BH em 2004 foram aprovadas pelo TER-MG, veja aqui. Portanto, ele e sua equipe agiram totalmente dentro da legalidade.

Mais uma coisa, Fernando Pimentel nunca foi citado como envolvido no tal Mensalão. Por que, agora, seis anos depois do ocorrido, seu nome aparece nos jornais? Ah que se pensar bem sobre isso...

Quem acompanha o noticiário mineiro sabe o que Fernando Pimentel já fez por Belo Horizonte. Conclusão: Contra fatos não há argumentos.