As Melhores do "Vai..."

domingo, 12 de janeiro de 2014

Vai tarde, Ariel Sharon

Texto originalmente publicado no Opera Mundi.

Mais do que qualquer outro líder israelense, Ariel Sharon simboliza a linguagem da força. Em sua longa carreira, como militar e politico, Sharon esteve envolvido nos capítulos mais violentos do conflito entre Israel e os palestinos, ocupando postos-chave desde a fundação de Israel, em 1948.

Em 1953, quando era um jovem militar de apenas 24 anos, Sharon comandou a operação na aldeia palestina de Qibya, também conhecida como massacre de Qibya, que deixou 69 mortos, a maioria deles civis. A operação foi uma decisão do governo israelense, naquela época liderado pelo primeiro-ministro David Ben Gurion, em represália a um atentado na cidade de Yehud que havia deixado 3 civis israelenses mortos.
A Unidade Especial 101, comandada por Sharon, atacou a aldeia na Cisjordânia -- então sob domínio jordaniano -- destruindo 49 casas, uma escola e uma mesquita. Muitas das vitimas estavam dentro das casas, que foram explodidas pelas tropas.

Na guerra de outubro de 1973, já general do Exército, Sharon comandou a travessia do Canal de Suez, que foi decisiva para a vitória das tropas israelenses contra as forças egípcias. Essa operação lhe rendeu o reconhecimento como um dos estrategistas militares mais importantes da história do país.
Carreira política
Em 1977, após se aposentar do Exército, Sharon iniciou sua carreira politica. Seu primeiro cargo foi de ministro da Agricultura no governo de Menahem Begin, líder do partido de direita Likud. Naquela época Sharon foi apelidado de "trator", por sua ação enérgica em favor da ampliação dos assentamentos israelenses nos territórios ocupados.
Sharon foi considerado o "pai" dos assentamentos ao longo de quase três décadas de carreira politica. Em 1981 foi nomeado ministro da Defesa no governo de Begin e, em 1982, liderou a primeira guerra do Líbano, contra as forças da OLP (Organização de Libertação de Palestina), baseadas no país.
O massacre nos campos de refugiados palestinos de Sabra e Chatila, em setembro de 1982, levou a um afastamento temporário de Sharon da vida politica. Cerca de 1.500 civis palestinos foram assassinados por milícias falangistas libanesas, que entraram no campos enquanto as tropas israelenses os cercavam.

Afastamento 

A Comissão Kahan, nomeada pelo governo israelense para investigar o massacre, chegou à conclusão de que Sharon era responsável por ter "ignorado o perigo de derramamento de sangue e não tomar medidas adequadas para impedi-lo".

No mundo árabe, após o massacre de Sabra e Chatila, Sharon tornou-se a figura israelense mais odiada e foi denominado "o açougueiro de Beirute".

Sharon foi afastado do cargo de ministro da Defesa e muitos em Israel pensaram que sua carreira política havia chegado ao fim. No entanto, ele permaneceu entre os líderes mais importantes do partido Likud e ocupou cargos de ministro até 1999, quando se tornou presidente do partido.

Em setembro de 2000, Sharon, escoltado por mil policiais, entrou na Esplanada das Mesquitas, em Jerusalém Oriental, desencadeando a segunda Intifada (levante palestino).

A presença do líder israelense mais odiado pelos palestinos, no lugar mais sensível e em uma época de extrema tensão entre os dois povos, foi o estopim de uma onda de violência que durou 4 anos e deixou mortos dos dois lados.

"Homem forte"

Em 2001, em meio à Intifada, Sharon foi eleito primeiro-ministro. Sua imagem de "homem forte" fez com que grande parte do público israelense o elegesse para pôr um fim à série de atentados suicidas que assolava as cidades israelenses.

Em março de 2002 Sharon ordenou o início da chamada Operação Muralha de Defesa, durante a qual as tropas israelenses reocuparam as cidades palestinas e cercaram o quartel general do presidente palestino, Yasser Arafat, em Ramallah.

No mesmo ano, sob o comando de Sharon, foi iniciada a construção do Muro israelense na Cisjordânia.

O Muro, que consiste em um complexo de muros de concreto nas áreas urbanas e cercas nas áreas rurais, e tem mais de 400 quilômetros de extensão, foi construído supostamente para separar israelenses de palestinos e, assim, impedir a entrada de atacantes suicidas no país.

No entanto, a barreira não separa israelenses de palestinos, mas sim palestinos de palestinos, pois não passa na chamada Linha Verde -- a fronteira entre Israel e a Cisjordânia até a guerra de 1967-- mas dentro da Cisjordânia, anexando parte do território palestino a Israel.

Guinada

Em 2003, Sharon deu uma guinada em direção a uma posição de centro, mais pragmática do que aquela que havia defendido praticamente a vida inteira.

"Não é possível continuar mantendo 3,5 milhões de palestinos sob ocupação", disse em maio de 2003. "Essa situação é ruim para os palestinos, para Israel e para a economia de Israel".

Naquela época, Sharon aceitou o Mapa do Caminho, plano proposto por Estados Unidos, Russia e União Europeia, para a paz entre israelenses e palestinos, e anunciou seu apoio à ideia da criação de um Estado Palestino.

Em 2005 Sharon conduziu a retirada das tropas e dos assentamentos israelenses da Faixa de Gaza.

A guinada de Sharon gerou choque e indignação da direita israelense, que passou a considerá-lo traidor da ideologia do Grande Israel.

Ele enfrentou uma rebelião dentro de seu próprio partido, o Likud, e em 21 de novembro de 2005 renunciou à liderança do partido e fundou o partido de centro Kadima.

Em 4 de janeiro de 2006 Sharon sofreu um derrame cerebral que o deixou em estado vegetativo por oito anos, até a sua morte, neste sábado (11/01).

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

O Natal na Papuda e o sadismo na mídia


Se só pretos, pobres, prostitutas e petistas vão para a cadeia no Brasil, o último dos quatro pês vem se mostrando um estigma ainda pior do que os outros três. Estes, sofrem porque, uma vez presos, são esquecidos; o quarto pê sofre porque não é esquecido nem quando preso. 

Por Eduardo Guimarães, em seu blog

O Judiciário brasileiro ficou de quatro para a mídia. Acata suas ordens para infernizar a vida dos condenados do julgamento do mensalão. Nega-lhes direitos como o regime semiaberto enquanto trata de esmiuçar as condições de sua prisão em busca de “regalias” a suprimir.

Os espiões que a mídia cooptou entre os agentes carcerários da penitenciária da Papuda para que informem qualquer alento que possa ser permitido aos alvos principais de sua fúria punitiva – ou seja, José Dirceu e Delúbio Soares – descobriram que eles gostam de ler.

A leitura pode ser um bálsamo para o encarcerado que a aprecie. Deveria ser estimulada, aliás. Tira a mente do que não presta. Contudo, a “regalia” que permitia que condenados do mensalão lessem à vontade foi revogada por estarem “lendo mais do que o permitido”.

A tortura psicológica costuma ser vista como até mais intensa e penosa do que a tortura física, que, após algum tempo, o torturado aprende a suportar, até por seu corpo e seus sentidos não resistirem. Já a psique humana é um parque de diversões para o sádico; permite supliciar sem limites.

Se a mídia não quer “regalias” para os condenados do mensalão tais como ler um livro, tampouco quer algum direito constitucional como o de um condenado cumprir sua pena tal como foi preconizada – e nunca de forma mais dura ou mais branda.

O objetivo que excita o sadismo midiático é o de minar o espírito dos dois petistas e o dos companheiros que partilham a dor deles não só por sabê-los condenados injustamente, mas por cumprirem uma pena mais dura do que aquela que deveriam estar cumprindo.

Sob essa sanha pervertida, os sádicos midiáticos já encontraram mais direitos a suprimir enquanto os direitos a preservar são ignorados: os condenados do mensalão poderão ficar com a luz acesa até às 24 horas do dia 24 de dezembro. E, escândalo dos escândalos, após receberem uma “ceia de natal”.

Dizem os instrumentos de tortura conformados em papel impresso que os “mensaleiros” receberão “quentinhas” contendo com arroz, feijão, carne, legumes e verduras. E o luxo é tanto que terão acesso à cantina do presídio, onde poderão comprar cigarros e refrigerante.

Esses “mensaleiros” não se emendam, não é mesmo?

As “regalias” de que desfrutrariam os petistas que atiçam a perversidade midiática, porém, não são regalias coisa alguma. Eles ainda dispõem de alguma diferenciação dos condenados ao regime fechado simplesmente porque estão padecendo sob ele ilegalmente, pois deveriam estar no regime semiaberto.

Isso em um país em que traficantes, estupradores, assassinos e até políticos corruptos conseguem ficar em liberdade contando com a sabida e consabida leniência que o dinheiro ou a influência da mídia podem comprar da Justiça.

Se você está indignado com essa sessão interminável de tortura politicamente motivada, regozije-se: você é uma pessoa justa, humana e, acima de tudo, sã. Regozije-se, pois, ao não sentir prazer com o sofrimento alheio.

Deixo você com um pensamento. Há 2013 anos nascia o Maior dos injustiçados pela justiça. É Seu Aniversário. Eleve, pois, a sua prece de lamento pela perenidade daquela sanha persecutória e punitiva das turbas que tanto prazer extraiu de seu Calvário.

Que o seu Natal, leitor, seja tão feliz quanto a revolta com a perversidade humana permitir.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Piloto do Helicóptero do Pó em Minas trocou mensagens com o senador Pórrela.


Vem chumbo grosso no caso do helicóptero que foi capturado pela Policia Federal em Minas Gerais. Segundo informações de uma pessoa influente no estado, foram trocados 70 mensagens entre o piloto e o senador nos dias que antecederam a prisão.
O piloto Rogério Almeida Antunes já teria declarado que é funcionário do senador Perrela. Outra informação a ser percebida é a de que o prefixo da aeronave era PP, com função estritamente particular e não poderia ser alugado.
E mais informações são descobertas a cada dia que passa no caso do Pó de Minas. A mesma pessoa que informou sobre os torpedos entre o piloto e o senador, afirma que aquela não foi o primeiro voo para o Espírito Santo. Considerada rota de tráfico internacional pelo Porto. E todas a idas foram autorizados por torpedos. O que complicará a defesa do senador.

Já está provado que o piloto era funcionário da Assembleia Legislativa de Minas e prestava serviços para a empresa dos filhos do senador Perrela. O que se espera agora é que tudo venha a público e que todos saibam o que acontece na “república do pó”.