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quarta-feira, 28 de março de 2012

Carlim Cachoeira encomendou ação da PF em Goiânia



Cachoeira encomendou ação da PF em GoiâniaFoto: Bruno Stuckert/Folhapress

BICHEIRO ARTICULOU COM DELEGADO DA PF FERNANDO HEREDA BYRON FILHO DENÚNCIAS PARA INVIABILIZAR A OBRA DO PARQUE MUTIRAMA; ALÉM DO CONGRESSO NACIONAL, OS TENTÁCULOS DO GRUPO CHEGAM À CÂMARA MUNICIPAL DE GOIÂNIA, ONDE A “BANCADA DO CACHOEIRA” FAZ LOBBY EM FAVOR DELE

27 de Março de 2012 às 12:19
247 - Gravações da Operação Monte Carlo mostram que, além do Congresso Nacional, os tentáculos da organização criminosa do contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, chegam também à Câmara Municipal de Goiânia, onde a ‘Bancada do Cachoeira’ atua em favor dos interesses do bicheiro.
Escutas feitas entre os dias 08 e 15 de agosto mostram diálogo de Cachoeira com o delegado da Polícia Federal de Goiás Fernando Antônio Hereda Byron Filho em que o bicheiro solicita os ‘serviços’ do agente nas investigações das obras do Parque Mutirama. Denúncias feitas pelo vereador Elias Vaz (PSOL) motivaram investigações do Ministério Público Federal sobre a reforma do parque, um complexo localizado no centro de Goiânia que conta com uma das maiores áreas verdes da cidade e brinquedos ao estilo do Play Center, de São Paulo. A coincidência é que as denúncias (leia mais em http://migre.me/8qUFo) de Elias foram feitas na mesma data (08/08/2011) em que começaram os contatos entre o bicheiro e o policial federal.
Matéria veiculada pelo jornal O Popular na edição do último dia 24 mostra que Elias Vaz mantinha contatos rotineiros com Cachoeira, sendo o ‘porta-voz’ da Bancada do Cachoeira, que também teria como membros os vereadores Maurício Beraldo (PSDB), Gilvane Antônio (PSDB) e Santana Gomes (PSD).
Na primeira gravação, de agosto de 2011, Carlinhos Cachoeira solicita que Byron veja o "negócio" (inquérito policial - IPL) do Mutirama, que está na PF. Pede ainda que puxe os autos para sua presidência, o que Byron se compromete a fazer. Os dois marcam um encontro para que Byron entregue denúncia de interesse de Cachoeira. Confira abaixo o diálogo:
Carlinhos: Doutor, tudo bem?
Byron: Tudo beleza querido, graças a Deus, Sexta-feira deu tudo tranqüilo lá, tudo 100%, aí vamo relatar esse inquérito rapidinho.
Carlinhos: Ah tá, não precisava de ver outra coisa, tem um negócio do Mutirama aí com vocês, não têm?
Byron: A licitação tá?
Carlinhos: É.
Byron: Oficialmente?
Carlinhos: É o Mutirama, eu tava lendo no jornal, o MPF mandou pra vocês, né?
Byron: Eu vou ver lá agora de tarde, aí repasso isso aí.
Carlinhos: Podia pegar pra você, isso aí.
Byron: Eu vou pedir lá, deixa comigo, de tarde vou falar com o Thiago, já puxo isso pra mim, viu?
Noutro diálogo, do dia 10 de agosto de 2011, Carlinhos dá previsão de pegar o inquérito policial (IPL) do Mutirama e solicita ajuda com a investigação. Byron solicita adiantamento de parcela de propina:
Carlinhos: Me ligou?
Byron: E aí, guerreiro velho? Tão reunindo... reuniram hoje pra passar o inquérito pra mim amanhã, viu? Falei com a menina, né, eu sabia que ela queria que eu pegasse mesmo. Aí falei com o RABELO, ele ia conversar com o DE LUCA. Aí, mas já tá certo mesmo, né? QUE EU VOU ENFIAR O PÉ NA JACA NA PREFEITURA MESMO. ELES SABEM COMO É QUE EU VOU PEGAR A PREFEITURA. Viu, aí vai, tá comigo mesmo, amanhã. Aí eu te passo, porque eu não vi o inquérito ainda. Vou te dizer qual é as diretrizes que eu vou tomar e aí a gente, aí... TU ME AJUDA NA INVESTIGAÇÃO. Falou?
Carlinhos: Então é certeza que você vai pegar, né?
Byron: Com certeza. Amanhã com certeza já tô pegando ele. Porque tinha que passar por ela, eu conversei com ela, aí fui conversar com o RABELO. Só que o DE LUCA é o chefe, né, da Fazendária. Tá na fazendária(ininteligível), viu? Amanhã tô pegando isso ai, ok?
Carlinhos: Tá, obrigado doutor. Felicidade aí.
Byron: Deixa eu falar um negócio...
Carlinhos: Pode falar.
Byron: A senhora que me vendeu o apartamento, ela vai ganhar nenê na segunda-feira, certo? Ela entrou em contato com a minha esposa, perguntando se podia antecipar esse pagamento que seria no dia quinze, né? Seria na segunda-feira, que ela tá com o marido e confiando. Por isso que ela botou o apartamento pra frente, certo, com a gente. E cê poderia fazer esse negócio amanhã. Eu tentei jogar pro sábado, certo, só que a Nara, minha esposa, ela tem uma cirurgia oito horas da manhã de sexta-feira. Vai fazer inxerto e um dos implantes na parte que fez a cirurgia. Aí a partir de sexta não vai poder falar dia nenhum, véio. E o contato é feito entre elas duas. Aí se pudesse, se der, mas essa sua caridade, se puder, né, se puder ajudar de pagar esse negócio amanhã, aí minha esposa daria pra ela, ficaria livre desse restante do mês  com ela. Pode ser? Cê vê isso pra mim?
Carlinhos: Ah, pode, amanhã cê me pede. Que horas cê quer?
Byron: Qual o melhor horário pra ti?
Carlinhos: Não sei, mas amanhã de manhã eu já te falo. Talvez meio-dia e meia ou seis e meia, tá?
Byron: Deus te abençoe forte aí, guerreiro velho. Deus te pague sua caridade. Um abraço, guerreiro.
Carlinhos: Outro. Tchau.

terça-feira, 27 de março de 2012

"Carlinhos Cachoeira e Demóstenes armaram o mensalão”


“Cachoeira e Demóstenes armaram o mensalão” Foto: Edição/247

Quem diz é o ex-prefeito de Anápolis (GO) Ernani de Paula, que conviveu com os dois; ele foi amigo do contraventor e sua mulher Sandra elegeu-se suplente do senador do DEM em 2002; “Cachoeira filmou, Policarpo publicou e Demóstenes repercutiu”, disse ele ao 247


Marco Damiani _247 – O Mensalão, maior escândalo político dos últimos anos, que pode ser julgado ainda este ano pelo Supremo Tribunal Federal, acaba de receber novas luzes. Elas partem do empresário Ernani de Paula, ex-prefeito de Anápolis, cidade natal do contraventor Carlinhos Cachoeira e base eleitoral do senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
“Estou convicto que Cachoeira e Demóstenes fabricaram a primeira denúncia do mensalão”, disse o ex-prefeito em entrevista ao 247. Para quem não se lembra, trata-se da fita em que um funcionário dos Correios, Maurício Marinho, aparece recebendo uma propina de R$ 5 mil dentro da estatal. A fita foi gravada pelo araponga Jairo Martins e divulgada numa reportagem assinada pelo jornalista Policarpo Júnior. Hoje, sabe-se que Jairo, além de fonte habitual da revista Veja, era remunerado por Cachoeira – ambos estão presos pela Operação Monte Carlo. “O Policarpo vivia lá na Vitapan”, disse Ernani de Paula ao 247.
O ingrediente novo na história é a trama que unia três personagens: Cachoeira, Demóstenes e o próprio Ernani. No início do governo Lula, em 2003, o senador Demóstenes era cotado para se tornar Secretário Nacional de Segurança Pública. Teria apenas que mudar de partido, ingressando no PMDB. “Eu era o maior interessado, porque minha ex-mulher se tornaria senadora da República”, diz Ernani de Paula. Cachoeira também era um entusiasta da ideia, porque pretendia nacionalizar o jogo no País – atividade que já explorava livremente em Goiás.
Segundo o ex-prefeito, houve um veto à indicação de Demóstenes. “Acho que partiu do Zé Dirceu”, diz o ex-prefeito. A partir daí, segundo ele, o senador goiano e seu amigo Carlos Cachoeira começaram a articular o troco.
O primeiro disparo foi a fita que derrubou Waldomiro Diniz, ex-assessor de Dirceu, da Casa Civil. A fita também foi gravada por Cachoeira. O segundo, muito mais forte, foi a fita dos Correios, na reportagem de Policarpo Júnior, que desencadeou todo o enredo do Mensalão, em 2005.
Agora, sete anos depois, na operação Monte Carlo, o jornalista de Veja aparece gravado em 200 conversas com o bicheiro Cachoeira, nas quais, supostamente, anteciparia matérias publicadas na revista de maior circulação do País.
Até o presente momento, Veja não se pronunciou sobre as relações de seu redator-chefe com o bicheiro. E, agora, as informações prestadas ao 247 pelo ex-prefeito Ernani de Paula contribuem para completar o quadro a respeito da proximidade entre um bicheiro, um senador e a maior revista do País. Demonstram que o pano de fundo para essa relação frequente era o interesse de Cachoeira e Demóstenes em colocar um governo contra a parede. Veja foi usada ou fez parte da trama?

PT, PSB e PDT chamam brindeiro às falas

Saiu no UOL:

Partidos pedem esclarecimentos a Gurgel sobre caso Demóstenes


GABRIELA GUERREIRO

DE BRASÍLIA


PT, PDT e PSB protocolaram nesta terça-feira (27) no Ministério Público Federal um pedido de esclarecimentos ao procurador-geral da República, Roberto Gurgel, sobre a demora nas investigações da suposta relação de deputados e senadores com o empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira –entre eles o senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

A petição encaminhada ao procurador é assinada por senadores dos três partidos. Nela, os parlamentares pedem que Gurgel preste esclarecimentos sobre as medidas já tomadas pela Procuradoria-Geral da República no caso.

O líder do PT no Senado, Walter Pinheiro (BA), disse que tentou reunir-se com o procurador –mas não foi recebido por Gurgel, por isso apenas mandou protocolar o pedido.

“Nós ligamos para fazer um encontro, ele disse que está com a agenda cheia até o final da tarde. Eu não faço questão de encontrar o procurador. O maior descaso dele é não responder o que pedimos há oito dias, que são as informações sobre o caso”, afirmou Pinheiro.

No documento, os senadores criticam a lentidão da PGR nas investigações –que desde 2009 tramitam no órgão. “Instamos Vossa Excelência a que, com as cautelas de estilo, preste os devidos esclarecimentos sobre os expedientes já adotados, as providências em curso e os próximos procedimentos, em face de fatos que precisam ser cabalmente elucidados a respeito do envolvimento de agentes públicos, notadamente parlamentares, com atividades ilegais no segmento de jogos no Estado de Goiás”, diz o documento.

Segundo Pinheiro, a petição é uma “cobrança” a Gurgel para exercer sua função de investigar a Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que desvendou o esquema comandado por Cachoeira. “Vamos cobrar respostas à nossa petição nas próximas 48 horas. Se não tivermos retorno, estudamos ingressar com representação contra o procurador”, afirmou o líder petista.

CORREGEDOR

O corregedor do Senado, Vital do Rêgo (PMDB-PB), também encaminhou hoje à PGR ofício com o pedido para ter acesso aos documentos das investigações. O corregedor disse que vai analisar o caso Demóstenes depois que receber as informações do procurador.

(…)



Clique aqui para ler “CPI para brindeiro Gurgel”.

E aqui para ler “Lula quer a CPI do Demóstenes e da Privataria”.