terça-feira, 30 de março de 2010

Bucetas X Paus - A batalha não está ganha...


Por Mari Moscou: Mulher Alternativa

Deixem-me falar hoje da desigualdade dos sexos. Quando digo “sexos” é porque quero falar deles literalmente; partes genitais, e não a pessoa que engloba o sexo em questão.

Hoje portanto não falaremos de nada além dos “sexos”, o sexo dos homens, o sexo das mulheres; pintos, paus, pererecas, bucetas, nada além disso. E da desigualdade manifesta da qual são vítimas as pobres pererecas em relação a seus homólogos fálicos, sim senhoras e senhores.

Bom, longe de mim tratar vocês como idiotas e querer mostrar num esquema como o sexo da mulher é diferente do sexo do homem do ponto de vista anatômico, reprodutivo, ou da maneira de mijar. Não, leitor/a, se você veio até este site é porque é um/a leitor/a inteligente e não é necessário enrolar sobre este tipo de proposta além do que, se eu escrevo um texto assim, este blog será atraído por um sem-número de internautas hipocondríacos e afins.

Então, vamos lá: você já reparou como a buceta tem má reputação?

O pau, ao contrário, não tem nenhum problema com sua imagem. O pau é majestoso, viril, tem o direito de endurecer e sentir o macho. Mas não a buceta. A buceta não tem o direito de ser buceta. A buceta não tem o direito de ser peluda, a buceta fede. Isto não sou eu que afirmo, é a sociedade que explica. Não é difícil perceber isto, basta olhar atentamente para as prateleiras do supermercado.

Vamos lá, em direção ao corredor de “higiene feminina”. Porque, sim, as mulheres tem sua parafernália e os homens podem celebrar não ter um equivalente em seu gênero. Consequentemente as mulheres têm direito à um corredor de higiene que não serve pra outra coisa que gerir e manejar este sangue horrível como elas escutam por aí (absorventes, tempões ou protetores diários dos quais minhas amigas são adeptas). No entanto se olharmos com atenção veremos que o objetivo deste corredor não é somente oferecer uma solução para seus dias de menstruação, longe disto. De uma forma geral, um terço dos produtos de “higiene feminina” visam tornar sua buceta menos buceta e portanto um pouco mais apresentável. Explico:

Por exemplo, os protetores diários. Vocês sabem que eles não servem para mesntruação, ou teríamos que trocá-los a cada quinze minutos pois não são espessos o bastante. Então servem para quê? Bom, como o nome indica, para proteger a calcinha. Mas protegê-la de quê? Respondo: da imunda perereca. Porque uma buceta molhada, uma buceta que tem cheiro de buceta ou uma buceta viscosa (não faça de conta que não sabe... sim, existem bucetas viscosas), parece ser um sacrilégio encostá-las em um belo fio dental. Ou uma outra calcinha qualquer. Resumindo, o pau tem o direito de grudar numa cueca mas a buceta, todos desaconselham que ela toque o tecido de tão suja que ela é, por natureza.

Pior ainda, há a gama “higiene e frescor íntimo”. Chega de bucetas que têm cheiro de buceta, elas devem ter cheiro de perfume, desinfetante e flor de ninféia, devem ser limpas como um bumbum de bebê. Você não tem mais o direito de mijar sem estar munida de um pacote de lenços umedecidos e sua buceta precisa ser desinfetada. Logo esta gama contará com desodorantes especiais roll-on ou em spray (acho que ninguém preferiria o roll-on dada a dificuldade de aplicação), para que ela cheire a florada ou frutas. A buceta só não pode cheirar a buceta, jamais.

Mas os corredores de higiene masculina, você já reparou? Se nós temos direito a slogans do tipo “Frescor em todas as ocasiões”, você já viu algo do tipo “Para manter suas bolinhas frescas como no primeiro dia”??? Hein??? Claro que não. Porque, como eu disse, o pau tem o direito de cheirar a pau, ele não precisa cheirar a flores e se lavar com loções hidratantes de PH neutro.

E os pelos? Falemos de pelos. Os homens, eles têm o direito de serem peludos, é até aconselhável. Aos homens ninguém lhes pede pra se depilar antes de colocar um maiô ou calção e se o pelos pubianos aparecem pra fora da sunga, não tem problema, é viril, é normal. O homem tem o direito de ter pelos em qualquer lugar e ninguém fala nada.

Mas não a mulher. A mulher, tudo bem se ela deixa alguns pelos caso a depilação completa lhe incomode, mas não muito, hein? Criam-se tendências de depilação: bilhete de metrô (retangular), depilação triangular... Porque a buceta como ela é, não se pode achar bela; então ela é obrigada a se disfarçar, ir ao cabelereiro e se perfumar para estar minimamente apresentável. Ao mesmo tempo, as meninas que optam pela versão “natural” e que não largam mão da cabeleira passam por freaks, aberrações, loucas ou descuidadas. Também, é simples, vá fazer um tour no sex shop da esquina e veja as prateleiras de DVD. Você se impressionará ao aconstatar que em nossos dias, as mulheres menos depiladas são relegadas à seção “bizarrices”. Você acha isto normal?

Sério, por que fazemos todo este circo sobre as bucetas enquanto tudo que elas querem, estes pequenos animais frágeis, é viver e se possível vivem em paz como os senhores paus sem precisarem se desculpar por serem peludas e não cheirar naturalmente a flores de jasmim?

Vos digo; não há justiça...

2 comentários:

Elton Sipião O Anjo das Letras. disse...

Gostei de sua crônica, ela tem uma linguagem desbocada e muito espontânea. Agora em relação ao seu conteúdo eu concordo apenas em parte. Acho que tanto pênis quanto vaginas precisam de uma adequada higiene. Agora concordo quando tu dizes que essa higiene só é exigida por parte das mulheres e por parte dos homens ela é dispensada. Acho que as mulheres não têm também que tolerar determinados cheiros nada naturais que procedem de uma genitália masculina muito mal higienizada. Mas se a gente for observar a caminhada da alma feminina na história da humanidade, ela é sempre obrigada a obedecer a regras e leis inventadas pelos homens seja em que âmbito ou segmento for dentro da sociedade em que vivemos, inclusive da higiene e estética humana. Ao masculino tudo quase é permitido, ao feminino nada quase é permitido. No entanto digo-te uma coisa, não existe nada neste mundo mais divinal, doce e que seja fonte de alegria e de prazer abundante para o homem que a vagina de uma mulher, ainda mais se essa vagina tiver o cheiro natural de vagina.

Tai Ramos disse...

Achei genial, um manifesto a favor da verdadeira liberdade vaginal. Minha buceta aplaudiu, quase que literalmente!

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