terça-feira, 29 de março de 2011
MORRE ZÉ ALENCAR UM GRANDE MINEIRO
“Zé” Alencar é um desses brasileiros que já não se pertencem a si mesmos, nem aos amigos e nem à própria família. Como o Barão de Mauá, que rasgou grandes sertões e veredas com os trilhos de suas estradas-de-ferro, que plantou indústrias e não conheceu limites para o desenvolvimento; como Roberto Simonsen e os jovens industriais paulistas que acreditaram num Brasil que deixava as eleições a bico-de-pena, reconhecia os direitos dos trabalhadores e se preparava para figurar entre as grandes Nações do mundo; como os grandes construtores que toparam o desafio de JK e, ao lado dos candangos, fizeram Brasília, desbravaram o centro-oeste, abriram as grandes rodovias e realizaram as obras de infra-estrutura dos anos 50; como José Ermírio de Morais, empreendedor progressista e de larga visão, acreditando em nossa indústria de base; como o legendário Delmiro Gouveia, penetrando o interior do nordeste e implantando a indústria têxtil contra os interesses estrangeiros; como todos eles, nosso José Alencar já pertence à história, de forma edificante e perene.
O presente parece importar pouco a esse grande brasileiro. O sofrimento físico não o alquebrou. José Alencar é passado e é futuro. Sua obra é maior que sua existência física ou o seu determinismo biológico. Sua herança não constará em testamento ou espólio, mas em feitos memoráveis, em obras fabulosas, em lições excepcionais de trabalho e de vida.
Chego à conclusão de que toda a fortuna e sucesso de José Alencar são bens menores do que sua gigantesca figura humana. Ele tem sido muito homenageado e penso o quão enfadonho deva ser para ele, embora todas as homenagens sejam bastante sinceras e merecidas. É que homens como ele jamais serão eternizados por bustos e estátuas e nem reconhecidos por comendas e medalhas. José Alencar, em raro caso de justiça num país de tantas injustiças, já conhece a imortalidade em vida. E o Brasil homenageia o seu exemplo, a sua força moral, a sua alegria de viver, a sua esperança inabalável.
domingo, 27 de março de 2011
O legado fiscal de Lula
Texto do Companheiro Lindbergh Faria publicado no site da CARTA MAIOR*
O legado fiscal de Lula
quinta-feira, 17 de março de 2011
Arruda diz que ajudou líderes do DEM a captar dinheiro - Brasil - Notícia - VEJA.com
Entrevista
Arruda diz que ajudou líderes do DEM a captar dinheiro
Segundo o ex-governador, dinheiro da quadrilha que atuava em Brasília alimentou campanhas de ex-colegas como José Agripino Maia e Demóstenes Torres

José Roberto Arruda: "Joguei o jogo da política brasileira" (Agência Brasil)
José Roberto Arruda foi expulso do DEM, perdeu o mandato de governador e passou dois meses encarcerado na sede da Polícia Federal (PF), em Brasília, depois de realizada a Operação Caixa de Pandora, que descobriu uma esquema de arrecadação e distribuição de propina na capital do país. Filmado recebendo 50 mil reais de Durval Barbosa, o operador que gravou os vídeos de corrupção, Arruda admite que errou gravemente, mas pondera que nada fez de diferente da maioria dos políticos brasileiros: “Dancei a música que tocava no baile”.
Em entrevista a VEJA, o ex-governador parte para o contra-ataque contra ex-colegas de partido. Acusa-os de receber recursos da quadrilha que atuava no DF. E sugere que o dinheiro era ilegal. Entre os beneficiários estariam o atual presidente do DEM, José Agripino Maia (RN), e o líder da legenda no Senado, Demóstenes Torres (GO). A seguir, os principais trechos da entrevista:
O senhor é corrupto?
Infelizmente, joguei o jogo da política brasileira. As empresas e os lobistas ajudam nas campanhas para terem retorno, por meio de facilidades na obtenção de contratos com o governo ou outros negócios vantajosos. Ninguém se elege pela força de suas ideias, mas pelo tamanho do bolso. É preciso de muito dinheiro para aparecer bem no programa de TV. E as campanhas se reduziram a isso.
O senhor ajudou políticos do seu ex-partido, o DEM?
Assim que veio a público o meu caso, as mesmas pessoas que me bajulavam e recebiam a minha ajuda foram à imprensa dar declarações me enxovalhando. Não quiseram nem me ouvir. Pessoas que se beneficiaram largamente do meu mandato. Grande parte dos que receberam ajuda minha comportaram-se como vestais paridas. Foram desleais comigo.
Como o senhor ajudou o partido?
Eu era o único governador do DEM. Recebia pedidos de todos os estados. Todos os pedidos eu procurei atender. E atendi dos pequenos favores aos financiamentos de campanha. Ajudei todos.
O que senhor quer dizer com “pequenos favores”?
Nomear afilhados políticos, conseguir avião para viagens, pagar programas de TV, receber empresários.
E o financiamento?
Deixo claro: todas as ajudas foram para o partido, com financiamento de campanha ou propaganda de TV. Tudo sempre feito com o aval do deputado Rodrigo Maia (então presidente do DEM).
De que modo o senhor conseguia o dinheiro?
Como governador, tinha um excelente relacionamento com os grandes empresários. Usei essa influência para ajudar meu partido, nunca em proveito próprio. Pedia ajuda a esses empresários: “Dizia: ‘Olha, você sabe que eu nunca pedi propina, mas preciso de tal favor para o partido’”. Eles sempre ajudaram. Fiz o que todas as lideranças políticas fazem. Era minha obrigação como único governador eleito do DEM.
Esse dinheiro era declarado?
Isso somente o presidente do partido pode responder. Se era oficialmente ou não, é um problema do DEM. Eu não entrava em minúcias. Não acompanhava os detalhes, não pegava em dinheiro. Encaminhava à liderança que havia feito o pedido.
Quais líderes do partido foram hipócritas no seu caso?
A maioria. Os senadores Demóstenes Torres e José Agripino Maia, por exemplo, não hesitaram em me esculhambar. Via aquilo na TV e achava engraçado: até outro dia batiam à minha porta pedindo ajuda! Em 2008, o senador Agripino veio à minha casa pedir 150 mil reais para a campanha da sua candidata à prefeitura de Natal, Micarla de Sousa (PV). Eu ajudei, e até a Micarla veio aqui me agradecer depois de eleita. O senador Demóstenes me procurou certa vez, pedindo que eu contratasse no governo uma empresa de cobrança de contas atrasadas. O deputado Ronaldo Caiado, outro que foi implacável comigo, levou-me um empresário do setor de transportes, que queria conseguir linhas em Brasília.
O senhor ajudou mais algum deputado?
O próprio Rodrigo Maia, claro. Consegui recursos para a candidata à prefeita dele e do Cesar Maia no Rio, em 2008. Também obtive doações para a candidatura de ACM Neto à prefeitura de Salvador.
Mais algum?
Foram muitos, não me lembro de cabeça. Os que eu não ajudei, o Kassab (prefeito de São Paulo, também do DEM) ajudou. É assim que funciona. Esse é o problema da lógica financeira das campanhas, que afeta todos os políticos, sejam honestos ou não.
Por exemplo?
Ajudei dois dos políticos mais decentes que conheço. No final de 2009, fui convidado para um jantar na casa do senador Marco Maciel. Estávamos eu, o ex-ministro da Fazenda Gustavo Krause e o Kassab. Krause explicou que, para fazer a pré-campanha de Marco Maciel, era preciso 150 mil reais por mês. Eu e Kassab, portanto, nos comprometemos a conseguir, cada um, 75 mil reais por mês. Alguém duvida da honestidade do Marco Maciel? Claro que não. Mas ele precisa se eleger. O senador Cristovam Buarque, do PDT, que eu conheço há décadas, um dos homens mais honestos do Brasil, saiu de sua campanha presidencial, em 2006, com dívidas enormes. Ele pediu e eu ajudei.
Então o senhor também ajudou políticos de outros partidos?
Claro. Por amizade e laços antigos, como no caso do PSDB, partido no qual fui líder do Congresso no governo FHC, e por conveniências regionais, como no caso do PT de Goiás, que me apoiava no entorno de Brasília. No caso do PSDB, a ajuda também foi nacional. Ajudei o PSDB sempre que o senador Sérgio Guerra, presidente do partido, me pediu. E também por meio de Eduardo Jorge, com quem tenho boas relações. Fazia de coração, com a melhor das intenções.
Arruda diz que ajudou líderes do DEM a captar dinheiro - Brasil - Notícia - VEJA.com
Em defesa do blog de Maria Bethania
Jorge Furtado, cineasta
A gritaria contra o blog de Maria Bethânia é uma mistura de ignorância, preconceito e mau-caratismo.
Ignorância, porque parte de idéia absolutamente falsa de que os produtores do blog – que pretende exercer a tarefa vital de divulgar a poesia – recebeu ou vai receber este dinheiro do governo.
Juro que tenho saudade do tempo em que se lia fato ou ficção, hoje o que mais há são equívocos e mentiras, que não são um nem outro.
O fato é que a única coisa que os produtores do blog receberam do governo foi a autorização para se humilhar, pedindo a empresários, de porta em porta, que considerem a possibilidade de, ao invés de entregar parte de seus impostos ao governo, patrocinar, com a vantajosa exposição de suas marcas, um blog de uma extraordinária artista brasileira, blog este que tem como objetivo divulgar a poesia, não há tarefa mais nobre.
Nada garante que os produtores do blog terão sucesso em sua jornada de mendicância entre a elite empresarial brasileira, frequentemente iletrada. O mais provável é que consigam apenas uma parte desta verba e tenham que redimensionar o projeto, o que seria uma pena.
Na minha opinião, o governo brasileiro deveria tirar do seu caixa o dinheiro (1,3 milhões de reais, uma ninharia perto da roubalheira do Detran gaúcho, dos pedágios paulistas, da máfia do governo Roriz/Arruda no DF, etc, etc...) e entregar para a Maria Bethânia, junto com um buquê de rosas e um cartão, pedindo desculpas pela confusão.
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quarta-feira, 16 de março de 2011
Blog do Zé - Zé Dirceu - Um Espaço para a Discussão do Brasil

Com esta viagem o presidente norte-americano tem como objetivo principal abrir mercados para a indústria dos EUA em nosso país, como afirma a excelente reportagem da Carta Capital nesta semana (vejam) - aliás, a melhor de todas as matérias sobre a visita, já que as dos jornais estão com muito oba-oba.
O próprio presidente Obama afirma que quer aumentar o comércio entre EUA e Brasil, e as relações comerciais, principalmente, nas áreas de tecnologia, meio ambiente, energia e petróleo. E o Globo, em artigo do Merval Pereira, antecipa hoje que o 1º mandatário norte-americano quer fechar um importante acordo de antecipação de compra do petróleo do pré-sal para diversificar seus fornecedores de petróleo.
Fica a questão: e as contrapartidas?
Sim, porque dados do nosso Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), divulgados às vésperas desta visita, informam que o país de Obama, o mais tradicional parceiro comercial brasileiro, perde espaço a cada década e a cada ano para a China que já se tornou o principal destino das nossas exportações.
Vejam: na década de 90, os chineses representavam apenas 1,8% dos cerca de US$ 482 bi exportados pelo nosso país; 10 anos depois, nesta 1ª década do milênio, esse volume chinês saltou para 8,3% - cerca de US$ 1,13 trilhão.
Já os norte-americanos apresentaram movimento contrário: em 1990 eram os responsáveis pela compra de 20,35% de tudo o que vendíamos e hoje essa proporção caiu para 16% (leiam, também, o post abaixo "Por que caem as compras dos EUA no Brasil").
Blog do Zé - Zé Dirceu - Um Espaço para a Discussão do Brasil
Manobras paulistas
Marcos coimbra
Desde o início do ano, são insistentes as notícias de que Gilberto Kassab vai abandonar o DEM, partido ao qual esteve filiado nos últimos 15 anos e pelo qual se elegeu deputado federal, vice-prefeito e prefeito da capital. Antes, atuara na interseção empresarial-política, com seu primeiro mentor, Guilherme Afif, com quem militou na Associação Comercial de São Paulo. Pelo antigo Partido Liberal, havia obtido um mandato de vereador, apoiado pelos colegas corretores de imóveis.
É possível não se impressionar com essa biografia, mas ninguém pode acusá-la de ser incoerente. Em qualquer quesito, Kassab sempre foi um político com clara identidade liberal, na acepção em que a expressão é usada em nosso vocabulário político, como sinônimo de direita moderna.
Aliás, foi esse perfil que levou Serra a convidá-lo a ser seu companheiro de chapa na eleição municipal de 2004. Recém-saído da derrota para Lula e já pensando em voltar a ser candidato a presidente, Serra queria mostrar-se capaz de reeditar a coalizão PSDB/PFL, que havia dado a FHC suas duas vitórias. Estava na hora de descartar a velha imagem de esquerdista estatizante e sinalizar que não tinha problemas de convívio com a direita.
Para demonstrar isso, dispunha-se a dar ao DEM a Prefeitura de São Paulo, pois era óbvio que não permaneceria no Palácio do Anhangabaú mais que o mínimo dos 15 meses em que lá ficou (apesar das juras de que não sairia). Dito e feito, Serra renunciou, Kassab assumiu e o DEM ganhou uma cadeira que muito dificilmente conquistaria sozinho.
A fim de reforçar o recado, Serra foi mais longe. Em 2008, apesar de o PSDB ter Alckmin como candidato à prefeitura, preferiu isolar o correligionário e pôs suas fichas na reeleição de Kassab. Deu certo e Serra saiu daquela eleição com a sensação de que havia manobrado com habilidade para a seguinte, a única que o interessava.
Hoje, Gilberto Kassab, esse símbolo do político liberal contemporâneo, emite sinais curiosos. Primeiro, disse que iria deixar o DEM e rumar para o PMDB. Depois, que faria um partido novo, mas apenas como um truque para chegar ao PSB, sendo o socialismo seu verdadeiro destino.
É difícil imaginar algo mais deseducativo e que mais evidencie os problemas de nosso sistema político. Em plena hora em que Senado e Câmara se reúnem para buscar caminhos para aperfeiçoar as instituições e fazer andar a reforma política, o prefeito da maior cidade do país e dileto discípulo de uma das principais lideranças da oposição mostra que os partidos (e suas hipotéticas ideologias) são irrelevantes. O que importa são os projetos individuais de poder.
Qual será a insatisfação de Kassab com o DEM? Terão os companheiros traído subitamente os princípios do liberalismo? O que teria havido com o DEM nos últimos meses, tão grave que um militante de mais de uma década se vê prestes a largar a legenda? Se não saiu quando estourou o escândalo do mensalão do governo Arruda, por que agora?
Seria possível responder a essas perguntas com outra: tivesse Serra vencido a eleição presidencial, estaria Kassab deixando o partido? Ou a vontade de mudar de ares é fruto da perda espaço do serrismo no DEM?
Nas dúvidas de Kassab sobre seu destino político e sobre o que vai fazer ano que vem (e nas próximas eleições para o governo do estado em 2014), percebem-se as digitais do mestre. O que parece é que, mais uma vez, Serra tenta montar o tabuleiro para o jogo da sucessão de Dilma.
Ninguém sabe se vai funcionar o projeto PDB, o partido-baldeação que está sendo cogitado, nem se o PSB acolherá o incerto número de políticos dispostos a embarcar nele. A chicana e o grau de artificialidade são tamanhos que é até possível que a Justiça Eleitoral se sinta ofendida com a esperteza.
O certo é que alguém imagina que vai lucrar com ela. Ganha uma bolinha de papel quem descobrir.